terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Depressão - Diagnóstico, tratamento com antidepressivos e psicoterapia


Diagnóstico da depressão para tratamento

A depressão, até nos casos mais severos, é um transtorno altamente tratável. Assim como muitas doenças, quanto mais cedo o tratamento começar, mais eficiente e maiores serão as chances de prevenir recorrências.

O primeiro passo para obter o tratamento apropriado é visitar um médico. Certos remédios, e algumas condições médicas como virose ou desordem na tiroide, podem causar sintomas semelhantes à depressão. O médico pode eliminar essas possibilidades como causas dos sintomas, ou pode conduzir uma avaliação psicológica ou encaminhar o paciente para uma profissional da saúde mental.

O médico conduzirá uma avaliação diagnóstica completa. Ele perguntará sobre histórico familiar de depressão e fará um histórico completo dos sintomas. O médico também perguntará se o paciente está usando álcool ou drogas, e se pensa em morte e suicídio. Uma vez feito o diagnóstico, a pessoa com depressão pode receber tratamento por muitos métodos. Os tratamentos mais comuns são remédios e psicoterapia.

Medicação no tratamento de depressão - Antidepressivos

Os antidepressivos funcionam normalizando químicos que ocorrem naturalmente no cérebro chamados neurotransmissores, notavelmente serotonina e norepinefrina. Outros antidepressivos funcionam no neurotransmissor dopamina. Cientistas estudando a depressão têm descoberto que esses químicos particulares estão envolvidos na regulação do humor, mas ainda não estão certos das formas exatas de como eles funcionam.

Alguns tipos de medicamentos antidepressivos são chamados inibidores seletivos de recaptação da serotonina, e incluem fluoxetina (Prozac), citalopram (Celexa), sertralina (Zoloft) e muitos outros.

Para todas as classes de medicamentos antidepressivos os pacientes devem tomar doses regularmente por pelo menos 3 a 4 semanas antes de provavelmente começarem a sentir o efeito terapêutico total. Eles devem continuar a tomar medicamentos pelo tempo especificado por seu médico, mesmo quando se sentirem melhor, de modo a prevenir relapsos da depressão. A medicação somente deve ser interrompida sob a supervisão médica. Alguns medicamentos devem ser interrompidos gradualmente para dar ao corpo tempo para se ajustar. Algumas pessoas, como aquelas com depressão crônica ou recorrente, podem precisar tomar medicamentos indefinidamente.

Algumas vezes medicamentos estimulantes, ansiolíticos (contra a ansiedade) e outros são usados em conjunto com antidepressivos, especialmente se o paciente possui transtorno mental ou físico coexistente. Porém, nem a medicação estimulante nem a ansiolítica são eficientes no tratamento da depressão quando tomados sozinhos, e ambos devem ser usados somente sob supervisão médica.

Efeitos colaterais dos antidepressivos

Os medicamentos antidepressivos podem causar efeitos colaterais moderados e frequentemente temporários em algumas pessoas, mas eles são incomuns a longo prazo. Porém, reações ou efeitos colaterais incomuns podem interferir com o funcionamento normal e devem ser relatados ao médico imediatamente.

Os efeitos colaterais mais comuns associados a antidepressivos incluem:
* Dor de cabeça, geralmente temporária.
* Náusea, geralmente temporária.
* Insônia e nervosismo.
* Agitação.
* Problemas sexuais em homens e mulheres, como diminuição do libido, disfunção erétil, ejaculação demorada, ou incapacidade de obter o orgasmo.

Os antidepressivos tricíclicos também podem causar mais os seguintes efeitos colaterais:
* Boca seca.
* Constipação.
* Problemas na bexiga.
* Visão turva.
* Sonolência durante o dia.

Psicoterapia no tratamento da depressão

Vários tipos de psicoterapia podem ajudar pessoas com depressão. Alguns tratamentos com psicoterapia são curtos (10 a 20 semanas) e outros longos, dependendo das necessidades do indivíduo. Dois tipos principais de psicoterapia - cognitiva comportamental e terapia interpessoal - têm mostrado ser eficientes no tratamento da depressão. A psicoterapia cognitiva comportamental, ao ensinar novas formas de pensar e se comportar, ajuda a pessoa a mudar estilos negativos de pensamento e comportamento que podem contribuir com a depressão. A psicoterapia interpessoal ajuda a pessoa a compreender e trabalhar sobre relações pessoais problemáticas que podem causar sua depressão ou piorá-la. Para depressão moderada, a psicoterapia pode ser a melhor opção de tratamento. Porém, para transtornos depressivos mais graves, a combinação de medicamentos e psicoterapia provavelmente é o método mais eficiente de tratamento.




terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A Cronicidade das Patologias Mentais


A realidade que a duração das doenças mentais impõe não é animadora. Dentro da medicina de uma forma geral nenhuma doença é curável com exceção de algumas (maioria) infecções bacterianas e algumas cirurgias, todas as demais enfermidades são apenas controláveis pelas medicações, ou seja, desaparecem espontaneamente ou permanecem continuamente. É um engano julgar que as medicações tratam as patologias: apenas suprimem os sintomas temporariamente, contribuem para a manutenção de uma qualidade de vida aceitável.
A informação mais correta é a que deve ser dada aos pacientes. É tanto inaceitável postergar um tratamento quanto é necessário o uso de medicações, afirmar que as medicações podem curar o paciente. Existe uma tendência universal em se acreditar que a medicação deixou a pessoa boa quando, depois de usada, permite que o paciente fique assintomático. Acreditar que um antidepressivo cura a depressão de uma pessoa se baseia na simples observação temporal de causa e efeito. Esta é uma forma simplista e ingênua de avaliação dos fatos. O máximo que podemos supor até o momento é que os psicotrópicos suprimem os sintomas enquanto a doença não se ameniza ou remite sozinha. O fato de um paciente hipertenso estar com os níveis pressóricos normalizados durante o uso de anti-hipertensivos não significa que ele ficou bom da hipertensão: basta suspender as medicações para verificar o que acontece. Nos transtornos mentais temos verificado que a persistência dos sintomas, ainda que parcialmente, seja um problema não resolvido. Esta cronicidade aliada ao fato do paciente resistir a ideia de que as medicações são ruins cria um ciclo de melhoras e pioras desnecessárias. As medicações são instrumentos valiosos e devem ser reconhecidos como tais; caso contrário estará criando conflitos psicológicos desnecessários para os pacientes. É muito difícil para qualquer paciente assim como para qualquer pessoa aceitar que por causa de uma ansiedade um pouco mais elevada existe a necessidade de se tomar medicações talvez para o resto da vida. Um simples transtorno de ansiedade leve pode ser tolerado por um paciente, mas sabemos que o curso natural desses transtornos, com o tempo, não é bom. As chances dos sintomas se agravarem provocando sofrimento em quem convive com o paciente e ao próprio paciente são elevadas, ainda que o problema seja leve. As chances da patologia se agravar ou se associar a outros transtornos ansiosos e depressivos também é considerável, além de aumentar as chances de dependência química a substâncias ilícitas. A luta do paciente contra os sintomas ao longo de anos pode gerar um desgaste psicológico intratável em curto prazo, mesmo com medicações.
Ainda não existem posturas seguras para o tratamento de longo prazo (anos) dos pacientes. Os psiquiatras ainda não sabem bem o que fazer, mas a tendência que as pesquisas têm mostrado é a necessidade de manter, por cada vez mais tempo, os remédios que obtiveram sucesso no tratamento, o que está se tornando possível graças aos novos psicotrópicos com poucos efeitos colaterais.
A cronicidade das doenças deve ser bem conhecida pelos psiquiatras e psicólogos, pois é comum o julgamento das condutas assumidas por colegas, principalmente quando não são conhecidos. Receber um paciente descompensado quanto ao tratamento e criticar o médico que o acompanha é muito fácil. Assim como é fácil dizer que determinado profissional é bom porque esta ou aquela pessoa ficou boa com ele. Muitas vezes o problema foi embora sozinho e os atributos são conferidos ao profissional, assim como também a culpa pela não melhora dos pacientes. Não se pode julgar um remédio ou um profissional pelo benefício ou falta de benefício obtido. Esse julgamento deve ser realizado com base nas características da doença e sua resposta às medicações empregadas, considerando o tempo e dose empregados.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Saúde Mental e Trabalho


Vive-se uma época de crise mundial, de transformações econômica, social e política. Na luta pela sobrevivência e realização profissional, observa-se cada vez mais uma centralidade do trabalho na vida dos trabalhadores, em detrimento do tempo de lazer. Além disso, novas formas de organização do trabalho, novas tecnologias e a precarização do mesmo, trazem o temor do desemprego e a intensificação do trabalho. São situações que podem favorecer a saúde ou a doença.
Analisando a inter-relação entre saúde mental e trabalho, há dois aspectos consideráveis: o estresse e os distúrbios psíquicos.
É importante levar em conta o papel da organização do trabalho relacionado aos efeitos negativos ou positivos que esta possa exercer sobre o funcionamento psíquico e a vida mental do trabalhador.
 Entende-se por organização do trabalho a divisão das tarefas e a divisão dos homens. A divisão das tarefas envolve o conteúdo das tarefas, o modo operatório e tudo que é determinado pela organização do trabalho. A divisão dos homens compreende a forma pela qual as pessoas são divididas em uma empresa e as relações humanas que aí se estabelecem. Nesse aspecto, deve-se ter ainda em atenção que nem sempre a organização do trabalho formalizada pela empresa, coincide com a organização do trabalho real, ou seja, com o modo operatório dos trabalhadores. Segundo o  psiquiatra  o descompasso entre as duas favoreceria o aparecimento do sofrimento mental, uma vez que levaria o trabalhador à necessidade de transgredir para poder executar a tarefa.
Em se tratando do estresse, pode ser concebido como um desequilíbrio entre as demandas do trabalho e a capacidade de resposta dos trabalhadores. Jornadas extensas e horas-extras, excesso de trabalho, pressão por produção, metas irreais e sempre crescentes a cumprir, gestão inadequada (por ex. remanejamento para função incompatível às características de personalidade); são alguns problemas relacionados à organização do trabalho e, portanto, potencialmente estressantes. Quantos já não passaram por isto? E como desenvolver uma vida saudável no trabalho?
A situação saudável de trabalho seria aquela que permitisse o desenvolvimento do indivíduo, alternando exigências e períodos de repouso com o controle do trabalhador sobre o processo de trabalho. Não se trata de idealismo, mas uma necessidade vital para a saúde do trabalhador.
Outro conceito relacionado ao tema diz respeito ao desgaste psíquico, que compreende 3 quadros clínicos: O desgaste orgânico da mente (seja em acidentes do trabalho, seja pela ação de produtos tóxicos); o mal-estar psíquico (a fadiga mental e física é uma delas); e nos casos que afetam a identidade do trabalhador, ao atingir valores e crenças que podem ferir a dignidade e a esperança.  Em suma, a inter-relação saúde mental e trabalho abrange do mal-estar ao quadro psiquiátrico, incluindo o sofrimento mental. O sofrimento mental é a experiência subjetiva intermediária entre doença mental descompensada e o conforto (ou bem-estar) psíquico.
Os sinais e sintomas podem caracterizar o medo, estresse, ansiedade (inclusive de teor persecutório), depressão, nervosismo, tensão, perda de apetite, distúrbios de sono, distúrbios psicossomáticos (gastrite, crises hipertensivas), e ainda há aqueles que sonham com o trabalho, sem conseguir desligar-se, etc.
De maneira geral, pode-se afirmar que, quanto menor a autonomia do trabalhador na organização de sua atividade, maiores as possibilidades de que a atividade gere transtornos à saúde mental. Porém, o excesso de trabalho e a pressão por produção ocorrem em todos os degraus da hierarquia. Exemplificando, encarregados e gerentes vivem tais situações assim como operários e empregados de balcão.
 Embora apresentem alta prevalência entre a população trabalhadora, os distúrbios psíquicos relacionados ao trabalho, frequentemente deixam de ser reconhecidos como doentes profissionais, no momento da avaliação clínica. Contribuem para tal fato, entre outros motivos, as próprias características dos distúrbios, regularmente mascarados por sintomas físicos, bem como a complexidade inerente à tarefa de definir-se claramente a associação entre tais doenças e o trabalho desenvolvido pelo paciente.
Outra dificuldade importante refere-se a ausência na Classificação Internacional das Doenças, de um grupo de diagnósticos de distúrbios específicos relacionados com o trabalho. Essa não caracterização do papel do trabalho como agravante ou desencadeante de distúrbios psíquicos, ocasiona prejuízos não só à qualidade e à eficácia do tratamento, como aos direitos legais do trabalhador, que deixa de usufruir de benefícios da Segurança Social aos quais eventualmente tenha direito, como por ex. o subsídio de doença. O desafio seria: reconhecer, diagnosticar e fazer a relação causal dos transtornos mentais com o trabalho, considerando as condições ambientais, a organização e a percepção da influência do trabalho no processo de adoecer.
Além dos aspectos da situação de trabalho há de considerar situações extra trabalho, (assaltos por ex.), que podem atuar de forma conjunta no desencadeamento de transtornos mentais. Embora seja uma realidade mais premente no Brasil, a violência é uma situação que já se preocupa em Portugal. A doença relacionada ao assalto compreende a síndrome pós-traumática. O quadro em geral é de irritabilidade, angústia difusa, reações emocionais exageradas. Além disso, o indivíduo revê e revive mentalmente a cena traumática, acompanhado de mal-estar, às vezes com sudorese e taquicardia. Os pesadelos também repetem o evento traumático com distúrbio de sono e um estado de tensão no qual ocorrem sobressaltos, como se a pessoa estivesse em permanente estado de prontidão.
Diante de qualquer sinal ou sintoma, o trabalhador deve procurar ajuda profissional. No caso dos distúrbios, necessita de uma equipe multidisciplinar para o controle do quadro clínico no sentido de resgatar a sua identidade profissional e social, incluindo tratamento com medicação e psicoterapia.
A evolução dos quadros clínicos depende de todo um suporte fornecido (ou não) pela empresa, sindicato, Centro de Saúde, Segurança Social, familiares e instituições, entendendo tal suporte como um conjunto de ações que resgatem essa identidade.
Nos casos de retorno ao trabalho após afastamentos por distúrbios psíquicos, além do tratamento específico, o suporte por parte dos colegas e chefias também é fundamental.
A problemática da demissão é outra realidade, uma vez que muitos deles são demitidos com o quadro clínico em atividade. A demissão representa a exclusão dos trabalhadores, funcionando a situação de trabalho (com organizações rígidas, pressão do tempo e das gerências, etc), como selecionadora de trabalhadores. Além de gerarem a perda do direito à assistência por parte do convénio ou da Segurança Social, levam à perda da identidade profissional e à piora da qualidade de vida, com a diminuição dos recursos financeiros.
Diante de tal realidade, é importante considerar toda a problemática que envolve as situações de trabalho na vida do trabalhador como um dos determinantes no processo saúde/doença. Favorece uma prevenção adequada, e na presença de qualquer distúrbio, evita que o percurso do trabalhador seja mais doloroso e traumático do que a própria doença lhe impõe.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Quais as diferenças entre Psiquiatra, Psicólogo, Psicanalista e Psicoterapeuta?

Há, frequentemente, dúvida sobre as diferenças entre psicólogo, psiquiatra, psicanalista e psicoterapeuta. Embora, estes profissionais possam trabalhar em campos ligados à saúde mental e compartilhem da missão de atender pessoas que anseiam por mudanças em relação ao que fazem ao que sentem e ao que pensam, diferenças importantes podem ser identificadas. Tais diferenças concentram-se na formação do profissional, no modo de compreender o complexo fenômeno do comportamento humano e, consequentemente, nos métodos de intervenção.

O psiquiatra é um profissional com formação em Medicina e com especialização em Psiquiatria. Após a faculdade, então, faz residência em instituições de saúde mental, clínicas e hospitais psiquiátricos. Os conhecimentos desta área e especialidade médica concentram-se nos comportamentos que fogem à "normalidade". Desta forma, o médico psiquiatra está preparado para lidar com os mais variados transtornos mentais (depressão, psicoses, etc). Ele faz uso do sistema de diagnóstico baseado em manuais como CID10 – Código Internacional de Doenças e DSM-IV – Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais. E a principal forma de intervenção utilizada por este profissional é a prescrição de medicamentos como antidepressivos, ansiolíticos e outros psicofármacos.

O psicólogo é um profissional que concluiu a graduação em Psicologia, podendo atuar na área clínica, organizacional, educacional, esportiva e outras. Pode, ainda, atuar com pesquisa em universidades, contribuindo assim para descobertas sobre as variáveis relacionadas ao comportamento humano, normal ou desviante, nos mais variados contextos. Para atuar na área clínica, o psicólogo geralmente complementa a sua formação com cursos (especialização, pós-graduação stricto sensu e lato sensu); ele utiliza a psicoterapia, um conjunto de técnicas e meios para analisar e intervir nos problemas emocionais, comportamentais e/ou transtornos mentais. Na psicoterapia, o psicólogo, através da mediação verbal, conduz o seu cliente a um processo em que este se torna mais consciente das coisas que faz, pensa e sente no seu dia-a-dia e busca proporcionar e ele a aprendizagem de novos comportamentos para lidar com as suas dificuldades. O psicólogo que trabalha com psicologia clínica é também chamado de psicoterapeuta. Embora a psicoterapia derive de teorias psicológicas, o psiquiatra com treinamento adicional e outros profissionais têm, também, utilizado a psicoterapia e se identificado como psicoterapeutas.

Já o psicanalista é um profissional de nível superior, muitas vezes psicólogo ou médico, que faz, posteriormente, um curso numa instituição psicanalítica e submete-se à Psicanálise. Ele atende pessoas com demandas análogas àquelas apresentadas ao psicólogo e psiquiatra. Na Psicanálise, são utilizadas as teorias da personalidade e métodos de tratamento introduzidos por Sigmund Freud. Embora, muito difundida, a Psicanálise, diferente da Psiquiatria e Psicologia, não tem status científico e sua eficácia parece questionável quando se observa o tempo em que os clientes de psicanalistas passam pelo processo psicanalítico sem qualquer melhora significativa.

Pesquisas citadas nas publicações da OMS – Organização Mundial de Saúde e NIMH – National Institute of Mental Health (Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA) têm apontado a combinação de psicofármacos e psicoterapia (tratamento psicológico) como uma das formas em que as pessoas mais se beneficiam quando carecem de intervenção para algum transtorno mental. Assim, quando se busca o psiquiatra e ele faz o encaminhamento para o psicólogo clínico, após a prescrição de um medicamento, resultados mais rápidos podem ser obtidos. O mesmo pode acontecer quando o psicólogo identificando um contexto/ momento crítico pelo qual seu cliente está passando (p. ex. transtorno de estresse pós-traumático após um acidente automobilístico) pode encaminhar seu cliente para o psiquiatra no intuito de que ansiolíticos, antidepressivo ou outros medicamentos possam ser prescritos.

sábado, 17 de dezembro de 2011

CAPS GERAL confraternizando com muita alegria...

Estamos no final de mais um ano, foram muitas dificuldades mais nada impediu de que a nossa unidade e os nossos usuários não pudesse ter uma festa de confraternização recheada de muita alegria e harmonia . O CAPS GERAL SER VI teve uma festa digna e necessária, afinal nós somos uma equipe, confira as imagens a seguir.





Tivemos música, poesia, dança, atividades e muita alegria...



















domingo, 4 de dezembro de 2011

Quando a ansiedade vira problema


Ela é tão comum quanto a alegria, a tristeza, o medo. Faz parte da constituição das emoções humanas. Aprender a notar os próprios sinais e modificar a maneira como vivencia o cotidiano pode ser os caminhos para evitar que o comum se torne problema e crise

Muitas são as pessoas que se definem como ansiosas. Entretanto, a ansiedade é algo normal e necessário para enfrentar o dia a dia, as obrigações e as expectativas. Ao se fazer uma prova, ao se submeter a uma entrevista de emprego, ao não saber o que vem em seguida. Segundo Tatiana Tostes, psicóloga e professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), todos nós temos quadros de ansiedade em situações pontuais.

“A ansiedade faz sempre referência a algo que está fora do meu controle, algo que me é estranho, mas que não é de todo desconhecido. É como se fosse alguém que está para chegar, eu sei que vai chegar, mas não sei quem é”, indica Tatiana Tostes.

Ela complementa que o cenário atual favorece esses quadros, pois estamos o tempo inteiro às vias de situações concretas que nos colocam diante daquilo que não podemos controlar, o que nos deixa em alerta.

Para o psiquiatra Fabio Gomes de Matos, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), a quantidade de tarefas que as pessoas se propõem a dar conta não condiz com o tempo disponível, o que também favorece experiências de quadros ansiosos.

“É uma sociedade que vai se tornar cada dia mais ansiosa, a não ser que as pessoas entendam e revejam seus processos”, o comenta. E entre essas pessoas, o psiquiatra indica que as mulheres têm o dobro de casos de ansiedade em comparação com os homens.

O psiquiatra ressalta que não existem comprovações científicas para essa prevalência, mas a hipótese de que existe uma percepção feminina do mundo que é diferente da percepção masculina pode ser levada em conta.

Ele lembra que existe uma quantidade ímpar de tarefas que as mulheres se envolvem que causam ansiedade. “É muita coisa no ar para que as mulheres possam fazer algum tipo de otimização em todas as áreas”, opina o psiquiatra.

Entre homens e mulheres, reconhecer quando a ansiedade passou a ser um problema e buscar ajuda são os preceitos para uma vida com qualidade. Ela, ansiosa e em processo de conhecimento, admite que, até ir buscar ajuda ter consciência que o que tem não era frescura ou exagero, aconteceu uma luta na própria mente. Ele lembra que a crise de ansiedade, que o levou a perder o emprego, foi a única maneira que permitiu que visse o que estava acontecendo.

“Assim como eu, muita gente deixa para procurar ajuda quando está em crise. Eu poderia não ter chegado a uma situação de estresse tão grave se houvesse admitido o problema antes”, comenta ele, que tem 36 anos, trabalha em negócio próprio e recuperou o relacionamento familiar.

Com a relevância do tema para a saúde das pessoas, a Ciência e Saúde buscam os limites da ansiedade e o impacto que causa na qualidade de vida das pessoas, assim como as formas indicadas para lidar com essa realidade.

Ansioso, mas com qualidade de vida.
Mesmo a ansiedade sendo natural ao ser humano, chega um ponto em que ela se torna um problema difícil de conviver. E é nesse momento em que a ajuda se coloca como uma necessidade para que a qualidade de vida seja uma realidade.

“Como ansiedade é algo que todo mundo tem, achamos que o que temos é normal, que deve ser besteira e isso faz com que a gente demore muito até perceber que é mais sério do que pensamos”, comentou aquela que sempre foi ansiosa, agoniada e queria fazer tudo de uma vez. Ela opta por não se identificar para evitar o julgamento dos outros, ainda atrelados ao desconhecimento e ao preconceito.
No começo, acreditava que a ansiedade era mais uma característica sua e, como conseguia relaxar no fim de um trabalho ou em um feriado, não a afetava.

O problema surgiu quando a ansiedade foi ficando pior e constante. “Não dependia mais da época, se tinha algo importante no trabalho ou não. Eu me preocupava extremamente com tudo. Deixar algo para o dia seguinte era uma noite mal dormida com certeza”.

E foi nesse momento em que surgiram os sintomas físicos: dor de cabeça, tontura, enjoo e dor de barriga, devidamente ignorados e relegados a uma virose. “Isso foi ficando constante e, depois, comecei a ter umas crises: coração disparava, ficava com falta de ar, mãos e lábios formigavam. Foi nesse ponto em que procurei ajuda”.

Tatiana Tostes, psicóloga e professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), explica que a ansiedade passa a ser patológica quando traz sofrimento. Ela lembra que o ideal para aquela pessoa que tem traços de ansiedade na sua personalidade é que encontre saídas como atividades esportivas e artísticas.

Psicoteapia

Entretanto, quando essas estratégias não dão conta e a sensação de desconforto continua constante, é hora de buscar uma psicoterapia, comenta Tatiana, que é membro do Laboratório de Pesquisa em Psicologia e Saúde da Unifor (Lapsis) e do Laboratório de Estudos e Intervenções Psicanalíticas na Clínica e no Social (Leipcs)

O psiquiatra Fabio Gomes de Matos, professor do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), esclarece que a incapacitação, o incômodo ou o fato de que algo é hiperdimensionado em relação aos outros são critérios que podem indicar quando a ansiedade se tornou um problema e precisa de tratamento.

E se há um quadro mais grave envolvendo sintomas físicos e fisiológicos, pode ser necessário um acompanhamento e uma intervenção medicamentosa para conter a situação.

Foi o caso do profissional de 36 anos que sofreu uma crise de estresse em um contexto de trabalho que não diferenciava dia, noite e fim de semana. Um amigo notou a diferença comportamental e o levou para o Hospital de Saúde Mental de Messejana (HSMM), onde ele foi diagnosticado com estresse e ansiedade.

Naquele momento, ele já contabilizava uma semana dormindo uma hora por noite. Por isso, foi necessária a administração de medicamentos para dormir e para controlar a ansiedade, que foi diminuindo com o tempo.

A ansiedade, que sempre esteve presente, deu um alerta com a crise. “Hoje, eu consigo enxergar a vida diferente. Eu continuo com a ansiedade, mas estou lidando com ela. Voltei a surfar por indicação médica, estou mais próximo do meu filho, tive que entender que as coisas não precisam ser todas para hoje”, descreve.  (Jornal O POVO - edição de 04/12/11. Domingo).


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Reação de Interrupção dos Antidepressivos


A interrupção dos antidepressivos pode trazer uma síndrome de abstinência há muito conhecida, mas pouco falada. A importância deste tema transcende a psiquiatria, pois estas medicações são usadas também com outras finalidades médico como antálgico, (Que combate a dor; analgésico por exemplo).
A incidência das reações de suspensão da medicação não é bem conhecida e não há consenso para se definir os limites desta síndrome. Há mais chances de ela ocorrer após um tratamento prolongado. Há um estudo realizado com a paroxetina: nele foi mostrado que após 12 semanas de tratamento, 35% dos pacientes tiveram por duas semanas sintomas de abstinência leves a moderados.
A reação de interrupção costuma iniciar-se logo depois da suspensão da medicação. Seu início é abrupto, pode durar de dias a poucas semanas, cedendo espontaneamente após isso. Os principais sintomas são: náuseas, dores abdominais, diarréia, insônia, pesadelos, sonhos vívidos, sudorese, letargia, cefaléia, ansiedade, irritabilidade, certo grau de distimia. Este quadro desaparece dentro de 24h após a reintrodução do respectivo antidepressivo.
Os inibidores da recaptação da serotonina provocam um quadro distinto, com tonteiras, sensação de leveza na cabeça, parestesias, sensação de surdez, sensações de choque elétrico.
A grande dificuldade no caso dos antidepressivos tricíclicos é saber se as queixas após a interrupção da medicação foram devidas a interrupção ou um recrudescimento do transtorno de antes do tratamento. A diferenciação é feita da seguinte maneira: a abstinência é limitada, após um período ela cede, enquanto os transtorno de ansiedade e depressão permanecem. A depressão é de recrudescimento lento, e a abstinência se inicia em 24h após a suspensão da medicação. Por outro lado a resolução da abstinência ocorre no dia seguinte a reintrodução da medicação, enquanto a depressão novamente é lenta, levando dias a semanas para responder a reintrodução da medicação.