domingo, 18 de março de 2012

Pesquisa Mundial


Esquizofrenia sob investigação

A ocorrência da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos podem estar ligados à urbanicidade e a migração interna nas cidades. Um grupo de cientistas europeus e brasileiros analisam hipóteses para o tratamento.
Um consórcio de pesquisadores brasileiros e europeus vai estudar, de forma ampla e integrada, as causas sociais e biológicas da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos (EOP). No Brasil, o estudo será realizado em Ribeirão Preto e região, com a coordenação dos professores Paulo Rossi Menezes, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), e Cristina Marta Del-Bem, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. O estudo está sendo realizado, simultaneamente, no Reino Unido, Holanda, França, Espanha, Turquia, Alemanha, Áustria, Bélgica, Irlanda, Itália, Suíça, China/Hong Kong e Austrália, por intermédio de centros integrantes do European Network of National Schizopçhrenia Networks Studiyng Gene-Environment Interactions (EU-GEI).

A pesquisa investiga fatores biológicos e sociais na ocorrência de transtornos mentais. A proposta, segundo os pesquisadores, é estimar a incidência de esquizofrenia e outros transtornos psicóticos na região de Ribeirão Preto e investigar possíveis relações de fatores sociais e biológicos na ocorrência destes transtornos mentais. O projeto conta com a participação dos professores Paulo Louzada-Junior, Antonio Carlos dos Santos, Maristela Schaulfelberger Spanghero, Jair Lício Ferreira Santos, da FMRP, e Geraldo Busatto da FMUSP. O projeto é gerenciado pela psicóloga Silvia Tenan, doutora em Saúde Mental pela FMRP.

Serão avaliados possíveis fatores relacionados com a incidência de EOP, como a urbanicidade e migração interna; fatores relacionados à história de vida do indivíduo, fatores familiares e de área geográfica; alterações anatômicas cerebrais, genéticas e imunológicas. Portadores de EOP serão comparados com controles saudáveis e população em risco de EOP (irmãos de pacientes).

Pesquisa inédita

Segundo a professora Cristina Marta, ”a inclusão do Brasil neste consórcio é muito oportuna, pois permitirá realizar estudo epidemiológico metodologicamente, o que trará contribuições empíricas que se somarão às poucas evidências produzidas no Brasil e em países de renda média e baixa”. O professor Menezes avalia que “dados sobre a incidência e evolução de EOP ainda são escassos, especialmente nos países em desenvolvimento, onde vive a maioria das pessoas que sofrem desses transtornos”.

Segundo os coordenadores, a escolha da cidade de Ribeirão Preto se deve a possibilidade de acesso a uma rede organizada de serviços de saúde mental, além de possuir características demográficas específicas, como variação de densidade demográfica entre municípios componentes da região e processos migratórios internos.

“Esses fatores possibilitarão testar algumas hipóteses já identificadas em estudos europeus, como fatores de risco para o desenvolvimento de EOP, e também permitirão compreender os fatores e mecanismos determinantes de grande variação de incidência de EOP entre populações”, aponta Cristina.

Os pesquisadores estimam uma amostra de 300 casos incidentes, 150 irmãos e 300 controles. “Estas estimativas, de cerca de 16 a 18 casos previstos por 100 mil pessoas em risco por ano, são baseadas em taxas anteriormente relatadas no Brasil”, aponta a professora da FMRP. Os resultados podem levar ao desenvolvimento de ações e políticas de prevenção efetivas, para a melhoria da vida daqueles que estão direta ou indiretamente afetados por esses transtornos, por meio de ações terapêuticas mais eficientes. (da Agência USP)

Jornal O Povo (Edição de domingo - 18.03.12 )

quinta-feira, 15 de março de 2012

Esquizofrenia


A esquizofrenia é um distúrbio mental grave, caracterizado pela perda do contato com a realidade (psicose), alucinações, delírios (crenças falsas), pensamentos anormais e alteração do funcionamento laborativo e social.

A esquizofrenia é um importante problema de saúde pública em todo o mundo. A sua prevalência mundial parece ser discretamente inferior a 1%, embora tenham sido identificados bolsões de maior ou menor incidência. Nos Estados Unidos, os indivíduos com esquizofrenia ocupam cerca de um quarto (1/4) dos leitos hospitalares e correspondem aproximadamente a 20% de todos os dias de afastamento da Previdência Social. A esquizofrenia é mais prevalente que a doença de Alzheimer, o diabetes ou a esclerose múltipla. No Brasil, são registrados 56.000 casos por ano.

Diversos distúrbios compartilham as características da esquizofrenia. Os distúrbios que se assemelham à esquizofrenia, mas cujos sintomas estão presentes a no mínimo 6 meses são denominados distúrbios esquizofreniformes. Quando os sintomas persistem por pelo menos um dia, mas se repetem pelo menos por um mês são denominados distúrbios psicóticos breves.

Um distúrbio caracterizado pela presença de sintomas do humor (p.ex., depressão ou mania) juntamente com sintomas mais típicos de esquizofrenia é denominado distúrbio esquizoafetivo.

Um distúrbio da personalidade que pode compartilhar sintomas de esquizofrenia e no qual os sintomas em geral não são tão graves a ponto de satisfazer aos critérios da psicose é denominado distúrbio da personalidade esquizotípica.

Causas

Embora a causa específica da esquizofrenia seja desconhecida, o distúrbio possui claramente uma base biológica. Muitos especialistas aceitam um modelo de “vulnerabilidade-estresse”, no qual a esquizofrenia só ocorre em indivíduos biologicamente vulneráveis. Até o momento, a causa da vulnerabilidade do indivíduo à doença é desconhecida, podendo ser uma predisposição genética, problemas que ocorreram antes, durante ou depois do nascimento, ou uma infecção viral do cérebro. A dificuldade de processamento das informações, a incapacidade de concentração, a dificuldade de comportar-se de forma socialmente aceitável e a incapacidade de lidar com os problemas em geral podem indicar vulnerabilidade. Nesse modelo, o estresse ambiental como eventos estressantes da vida ou problemas de dependência de drogas desencadeiam o início e a recorrência da esquizofrenia em indivíduos vulneráveis.

A esquizofrenia começa mais frequentemente entre os 18 e os 25 anos nos homens e entre os 26 e 45 nas mulheres. Contudo, não é incomum o seu início na infância ou começo da adolescência ou em uma idade mais avançada. O surgimento da esquizofrenia pode ser súbito, desenvolvendo-se ao longo de dias ou semanas, ou lento e insidioso, desenvolvendo-se ao longo de anos.
  
Sintomas

A gravidade e os tipos de sintomas podem variar significativamente de paciente para paciente. De modo geral, os sintomas podem ser classificados em três grupos: delírios e alucinações; distúrbios do pensamento e comportamentos estranhos; e sintomas negativos ou de déficit. Um indivíduo pode apresentar sintomas de um ou até três dos grupos. Os sintomas são suficientemente graves para interferir na capacidade laborativa, de se relacionar com as pessoas e de cuidar de si mesmo. Os delírios são falsas crenças, que muitas vezes envolvem uma interpretação errônea de percepções ou experiências. Por exemplo, os indivíduos com esquizofrenia podem apresentar delírios persecutórios, acreditando que estão sendo atormentados, seguidos, enganados ou espionados. Podem também apresentar delírios de referência, acreditando que trechos de livros, jornais ou letras de músicas são direcionados especificamente a eles. Eles podem apresentar delírios de roubo ou de imposição do pensamento, acreditando que outras pessoas podem ler sua mente, que seus pensamentos estão sendo transmitidos para outras pessoas ou que pensamentos e impulsos estão lhes sendo impostos por forças externas. Existem ainda as alucinações auditivas, visuais, olfativas, gustativas ou táteis; apesar das alucinações auditivas serem de longe as mais frequentes. O indivíduo pode “ouvir” vozes comentando seu comportamento, conversando umas com outras ou fazendo comentários críticos ou ofensivos. O distúrbio do pensamento refere-se a um pensamento desorganizado, que se torna evidente quando a fala é desconexa, muda de um tema a outro e não tem qualquer finalidade.

A fala pode ser discretamente desorganizada ou completamente incoerente e incompreensível. O comportamento estranho pode tomar a forma de atos infantis, de agitação de apresentação, higiene ou conduta inadequada. O comportamento motor catatônico é uma forma extrema de comportamento estranho no qual o indivíduo pode manter-se em uma postura rígida e resistir aos esforços para ser mobilizado ou, ao contrário, ele apresenta uma atividade motora sem estímulo e sem objetivo. Os sintomas negativos ou de déficit da esquizofrenia incluem o embotamento da afetividade, a pobreza da fala, a anedonia e a misantropia. O embotamento da afetividade refere-se a uma diminuição das emoções. A face do indivíduo pode parecer imóvel. Ele mantém um contato visual mínimo e não apresenta expressividade emocional. Os eventos que normalmente fariam um indivíduo rir ou chorar não produzem respostas. A pobreza da fala refere-se a uma diminuição dos pensamentos que é refletida na diminuição da fala. As respostas a questões podem ser concisas, uma ou duas palavras, dando a impressão de um vazio interior. A anedonia refere-se à diminuição da capacidade de sentir prazer. O indivíduo pode demonstrar pouco interesse por atividades anteriores e despende mais tempo em atividades inúteis. A misantropia refere-se à falta de interesse em relacionar-se com outras pessoas. Esses sintomas negativos frequentemente estão associados a uma perda geral na motivação, no sentido de finalidade e objetivos.

Tipos de Esquizofrenia

Alguns pesquisadores acreditam que a esquizofrenia seja um distúrbio isolado, enquanto outros acham que se trata de uma síndrome (conjunto de sintomas) baseando-se nas numerosas doenças subjacentes. Em um esforço para classificar os pacientes em grupos mais uniformes, foram propostos subtipos de esquizofrenia. No entanto, em um mesmo paciente, o subtipo pode mudar no decorrer do tempo.

A esquizofrenia paranóide é caracterizada por uma preocupação com os delírios ou alucinações auditivas. A fala desorganizada e as emoções inadequadas são menos proeminentes.

A esquizofrenia hebefrênica ou desorganizada é caracterizada pela fala desorganizada, pelo comportamento desorganizado e pelo embotamento afetivo ou pelas emoções inadequadas.

A esquizofrenia catatônica é dominada pelos sintomas físicos como a imobilidade, a atividade motora excessiva ou a adoção de posturas esquisitas.

A esquizofrenia indiferenciada é frequentemente caracterizada por sintomas de todos os grupos: delírios e alucinações, distúrbio do pensamento e comportamento estranho e sintomas de déficit ou negativos.

Mais recentemente, a esquizofrenia foi classificada de acordo com a presença e gravidade dos sintomas negativos ou de déficit. Nos indivíduos com o subtipo negativo ou de déficit da esquizofrenia os sintomas negativos são predominantes como, por exemplo, embotamento afetivo, falta de motivação e diminuição do sentido de finalidade. Nos indivíduos com esquizofrenia sem déficit ou paranóide, os delírios e as alucinações são evidentes, mas são observados relativamente poucos sintomas negativos. Em geral, os indivíduos com esquizofrenia sem déficit tendem a apresentar uma incapacitação menos grave e são mais responsivos ao tratamento.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Benzodiazepínicos


O perigo por trás dos tranquilizantes.
Os tranquilizantes têm sido usados há milênios. O primeiro deles, e que continua a ser consumido, é o álcool. Atualmente, cada vez mais, diversos outros calmantes são lançados no mercado para alegria dos consumidores aflitos. Uma estatística da Organização Mundial de Saúde, publicada há alguns anos, mostrou um consumo anual de 500 milhões de diferentes psicotrópicos no Brasil. Desses, 70% eram ansiolíticos, ou seja, medicamentos (geralmente benzodiazepínicos) para diminuir a ansiedade, apreensão, tensão ou medo. Muitas pessoas só dormem após tomarem seu sedativo preferido e, para suportar o dia desagradável que virá, ingerem mais outro calmante diurno. Alguns usam os tranquilizantes para viajar de avião, dançar, namorar, transar, fazer provas, dar aulas, casar, isto é, as atividades que podem acarretar certo grau de intranquilidade.

Leo Stembach, acidentalmente, descobriu em 1955 o primeiro benzodiazepínico, denominado Clordiazepóxido (Librium). Logo depois, em 1963, foi produzido e comercializado o Diazepam (Valium). Seu uso se espalhou rapidamente por todo o mundo.

Os benzodiazepínicos, fusão de benzeno com um anel diazepínico, atuam aumentando o efeito do neurotransmissor natural (congênito), o “ácido gama-aminobutírico” (GABA). Portanto, os benzodiazepínicos aumentam (potencializam) efeitos já existentes no homem e em outros animais. Estas substâncias químicas funcionam como inibidoras; atenuam as reações químicas provocadoras da ansiedade. Os benzodiazepínicos seriam, assim, agonistas (fortalecedores) do sistema GABA.

Ultimamente as pesquisas têm indicado a existência de receptores específicos para os benzodiazepínicos no SNC, sugerindo a existência de substâncias endógenas muito parecidas com os benzodiazepínicos. Tais substâncias seriam uma espécie de “benzodiazepínicos naturais”, ou mais precisamente, de “ansiolíticos naturais”.

Funções dos Benzodiazepínicos

Os benzodiazepínicos produzem cinco efeitos principais no organismo: sedativos, hipnóticos, ansiolíticos, relaxantes musculares e anticonvulsivantes. Os efeitos descritos são diferentes conforme o benzodiazepínico, entretanto, as respostas citadas estão presentes em todos os eles. Por exemplo, o Midazolam (Dormonid), Flurazepam (Dalmadorm) e Flunitrazepam (Rohypnol) são benzodiazepínicos com propriedades eminentemente sedativo-hipnóticas; Eles são usados, também no preparo de pequenas cirurgias e exames laboratoriais. Por outro lado, o Alprazolam (Frontal) tem uma ação mais ansiolítica e menos sedativa.

As propriedades descritas acima tornam os benzodiazepínicos úteis no tratamento da ansiedade, insônia, agitação, apreensões, espasmos musculares, abstinência do álcool e como pré-medicação nos procedimentos médicos ou odontológicos.

Alguns benzodiazepínicos (entre eles o Rivotril) são também usados nas crises mioclônicas (contrações musculares súbitas e involuntárias), ausências (perda transitória de consciência), crises convulsivas tônico-clônicas e ainda, no tratamento da Doença do Pânico.

Na maioria das vezes o benzodiazepínico é administrado por via oral, no entanto, ele também pode ser dado por via intravenosa, intramuscular ou retal. Atenção: o pico do efeito (ponto máximo da concentração sanguínea) do é alcançada mais rapidamente quando a via de administração for oral e não intramuscular. Assim sendo, havendo necessidade de rapidez, a via oral ou endovenosa é preferível à intramuscular.

Duração das ações dos Benzodiazepínicos

Os diferentes benzodiazepínicos existentes, Clordiazepóxido (Librium, Psicossedin); Diazepan (Valium, etc.); Clonazepam (Rivotril, etc.); Bromazepam (Lexotam, etc.); Alprazolan (Frontal e etc.); Lorazepam (Lorax,  etc.); Cloxazolan, (Olcadil) e outros, são classificados como sendo de curto, médio e longo prazo quanto ao tempo que permanecem fazendo efeito (agindo)  no organismo. Apoiados na duração do tempo de ação pode-se deduzir que os benzodiazepínicos de tempo médio são os mais indicados para tratar a insônia. Já os benzodiazepínicos de duração maior são recomendados para o tratamento da Ansiedade Generalizada.

Efeitos colaterais

O novo grupo de drogas, inicialmente recebida com otimismo pela profissão médica, aos poucos produziu preocupações, em particular, o risco de dependência que se tornou evidente na década de 1980. Embora os antidepressivos com propriedades ansiolíticas fossem introduzidos, e existe uma crescente consciência dos efeitos adversos dos benzodiazepínicos, eles continuam a ser usados de forma exagerada e trivial para aliviar qualquer ansiedade.

Os efeitos colaterais mais comuns dos benzodiazepínicos estão relacionados à sua ação sedativa e relaxante muscular, variando de indivíduo para indivíduo. A sedação produz a depressão, sonolência, tonturas, diminuição da atenção e concentração. A falta de coordenação muscular pode resultar em quedas e lesões, especialmente entre os idosos, além da dificuldade para andar. A diminuição da libido e dificuldade em ter ereção é um efeito colateral comum. A desinibição pode surgir levando a pessoa a ter uma conduta social inconveniente. A hipotensão e a respiração reprimida podem ser encontradas após o uso intravenoso. Efeitos colaterais menos comuns incluem náuseas e alterações do apetite, visão borrada, confusão, euforia, despersonalização e pesadelos. Casos de toxicidade hepática têm sido descritos, mas são raros.

Efeitos em longo prazo

Efeitos adversos tardios produzidos pelos benzodiazepínicos incluem uma deterioração geral da saúde mental e física que tendem a aumentar com o tempo. Nem todos, porém, enfrentam problemas com o uso em longo prazo. Os efeitos adversos podem incluir também o comprometimento cognitivo, bem como os problemas afetivos e comportamentais: agitação, dificuldade em pensar de forma construtiva, perda do desejo sexual, agorafobia e fobia social, ansiedade, depressão maior, perda de interesse em atividades de lazer e incapacidade de sentir ou de expressar as emoções. Além disso, pode ocorrer uma percepção alterada de si, do ambiente e nas relações sociais.

Uso e abuso dos benzodiazepínicos

Os benzodiazepínicos são comumente utilizados abusivamente e tomado em combinação com outras drogas de abuso. Em geral, os benzodiazepínicos são seguros e eficazes durante poucos dias, apesar dos prejuízos cognitivos e comportamentais, tais como a agressão e desinibição que podem ocorrer ocasionalmente.

Os benzodiazepínicos tomados em overdoses podem causar inconsciência perigosa e profunda. No entanto, eles são muito menos tóxicos que seus antecessores, os barbitúricos (Gardenal, etc.). A morte raramente resulta quando um benzodiazepínico é a única droga tomada. Ele, junto a outros depressores do sistema nervoso central (álcool e opiáceos), gera um aumento da toxicidade.

Idosos e os benzodiazepínicos

Os efeitos adversos dos benzodiazepínicos são aumentados e os benefícios são diminuídos nos idosos. Os efeitos indesejáveis sobre a cognição neles podem ser confundidos e tratados como resultante da velhice ou de demência (Alzheimer e outras).

Assim, os benefícios dos benzodiazepínicos são menores, e os riscos, maiores nos idosos. Os idosos têm o risco de aumentar a dependência e ficarem mais sensíveis aos efeitos adversos, tais como problemas de memória, sedação diurna, dificuldade de coordenação motora e aumento do risco de acidentes automobilísticos e quedas. O efeito em longo prazo dos benzodiazepínicos e a dependência deles em idosos pode assemelhar-se à demência, depressão ou síndromes de ansiedade e, progressivamente piorar ao longo do tempo.

Os benzodiazepínicos devem ser prescritos aos idosos com cuidado, em doses baixas e por um curto período de tempo. Os benzodiazepínicos de vida curta ou intermediaria são os preferíveis para os idosos, como Oxazepam e Temazepam. Os benzodiazepínicos de alta potência Alprazolam e Triazolam e os benzodiazepínicos de longa duração não são recomendados para os idosos devido ao aumento dos efeitos adversos. O uso em longo prazo dos benzodiazepínicos tem sido associado ao aumento do risco de comprometimento cognitivo. Mas sua relação com a demência permanece inconclusiva. Os benzodiazepínicos são prescritos, às vezes, para tratar os sintomas comportamentais das demências. No entanto, à semelhança dos antidepressivos, eles não só têm pouca eficácia, como também podem piorar a demência.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Depressão - Diagnóstico, tratamento com antidepressivos e psicoterapia


Diagnóstico da depressão para tratamento

A depressão, até nos casos mais severos, é um transtorno altamente tratável. Assim como muitas doenças, quanto mais cedo o tratamento começar, mais eficiente e maiores serão as chances de prevenir recorrências.

O primeiro passo para obter o tratamento apropriado é visitar um médico. Certos remédios, e algumas condições médicas como virose ou desordem na tiroide, podem causar sintomas semelhantes à depressão. O médico pode eliminar essas possibilidades como causas dos sintomas, ou pode conduzir uma avaliação psicológica ou encaminhar o paciente para uma profissional da saúde mental.

O médico conduzirá uma avaliação diagnóstica completa. Ele perguntará sobre histórico familiar de depressão e fará um histórico completo dos sintomas. O médico também perguntará se o paciente está usando álcool ou drogas, e se pensa em morte e suicídio. Uma vez feito o diagnóstico, a pessoa com depressão pode receber tratamento por muitos métodos. Os tratamentos mais comuns são remédios e psicoterapia.

Medicação no tratamento de depressão - Antidepressivos

Os antidepressivos funcionam normalizando químicos que ocorrem naturalmente no cérebro chamados neurotransmissores, notavelmente serotonina e norepinefrina. Outros antidepressivos funcionam no neurotransmissor dopamina. Cientistas estudando a depressão têm descoberto que esses químicos particulares estão envolvidos na regulação do humor, mas ainda não estão certos das formas exatas de como eles funcionam.

Alguns tipos de medicamentos antidepressivos são chamados inibidores seletivos de recaptação da serotonina, e incluem fluoxetina (Prozac), citalopram (Celexa), sertralina (Zoloft) e muitos outros.

Para todas as classes de medicamentos antidepressivos os pacientes devem tomar doses regularmente por pelo menos 3 a 4 semanas antes de provavelmente começarem a sentir o efeito terapêutico total. Eles devem continuar a tomar medicamentos pelo tempo especificado por seu médico, mesmo quando se sentirem melhor, de modo a prevenir relapsos da depressão. A medicação somente deve ser interrompida sob a supervisão médica. Alguns medicamentos devem ser interrompidos gradualmente para dar ao corpo tempo para se ajustar. Algumas pessoas, como aquelas com depressão crônica ou recorrente, podem precisar tomar medicamentos indefinidamente.

Algumas vezes medicamentos estimulantes, ansiolíticos (contra a ansiedade) e outros são usados em conjunto com antidepressivos, especialmente se o paciente possui transtorno mental ou físico coexistente. Porém, nem a medicação estimulante nem a ansiolítica são eficientes no tratamento da depressão quando tomados sozinhos, e ambos devem ser usados somente sob supervisão médica.

Efeitos colaterais dos antidepressivos

Os medicamentos antidepressivos podem causar efeitos colaterais moderados e frequentemente temporários em algumas pessoas, mas eles são incomuns a longo prazo. Porém, reações ou efeitos colaterais incomuns podem interferir com o funcionamento normal e devem ser relatados ao médico imediatamente.

Os efeitos colaterais mais comuns associados a antidepressivos incluem:
* Dor de cabeça, geralmente temporária.
* Náusea, geralmente temporária.
* Insônia e nervosismo.
* Agitação.
* Problemas sexuais em homens e mulheres, como diminuição do libido, disfunção erétil, ejaculação demorada, ou incapacidade de obter o orgasmo.

Os antidepressivos tricíclicos também podem causar mais os seguintes efeitos colaterais:
* Boca seca.
* Constipação.
* Problemas na bexiga.
* Visão turva.
* Sonolência durante o dia.

Psicoterapia no tratamento da depressão

Vários tipos de psicoterapia podem ajudar pessoas com depressão. Alguns tratamentos com psicoterapia são curtos (10 a 20 semanas) e outros longos, dependendo das necessidades do indivíduo. Dois tipos principais de psicoterapia - cognitiva comportamental e terapia interpessoal - têm mostrado ser eficientes no tratamento da depressão. A psicoterapia cognitiva comportamental, ao ensinar novas formas de pensar e se comportar, ajuda a pessoa a mudar estilos negativos de pensamento e comportamento que podem contribuir com a depressão. A psicoterapia interpessoal ajuda a pessoa a compreender e trabalhar sobre relações pessoais problemáticas que podem causar sua depressão ou piorá-la. Para depressão moderada, a psicoterapia pode ser a melhor opção de tratamento. Porém, para transtornos depressivos mais graves, a combinação de medicamentos e psicoterapia provavelmente é o método mais eficiente de tratamento.




terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A Cronicidade das Patologias Mentais


A realidade que a duração das doenças mentais impõe não é animadora. Dentro da medicina de uma forma geral nenhuma doença é curável com exceção de algumas (maioria) infecções bacterianas e algumas cirurgias, todas as demais enfermidades são apenas controláveis pelas medicações, ou seja, desaparecem espontaneamente ou permanecem continuamente. É um engano julgar que as medicações tratam as patologias: apenas suprimem os sintomas temporariamente, contribuem para a manutenção de uma qualidade de vida aceitável.
A informação mais correta é a que deve ser dada aos pacientes. É tanto inaceitável postergar um tratamento quanto é necessário o uso de medicações, afirmar que as medicações podem curar o paciente. Existe uma tendência universal em se acreditar que a medicação deixou a pessoa boa quando, depois de usada, permite que o paciente fique assintomático. Acreditar que um antidepressivo cura a depressão de uma pessoa se baseia na simples observação temporal de causa e efeito. Esta é uma forma simplista e ingênua de avaliação dos fatos. O máximo que podemos supor até o momento é que os psicotrópicos suprimem os sintomas enquanto a doença não se ameniza ou remite sozinha. O fato de um paciente hipertenso estar com os níveis pressóricos normalizados durante o uso de anti-hipertensivos não significa que ele ficou bom da hipertensão: basta suspender as medicações para verificar o que acontece. Nos transtornos mentais temos verificado que a persistência dos sintomas, ainda que parcialmente, seja um problema não resolvido. Esta cronicidade aliada ao fato do paciente resistir a ideia de que as medicações são ruins cria um ciclo de melhoras e pioras desnecessárias. As medicações são instrumentos valiosos e devem ser reconhecidos como tais; caso contrário estará criando conflitos psicológicos desnecessários para os pacientes. É muito difícil para qualquer paciente assim como para qualquer pessoa aceitar que por causa de uma ansiedade um pouco mais elevada existe a necessidade de se tomar medicações talvez para o resto da vida. Um simples transtorno de ansiedade leve pode ser tolerado por um paciente, mas sabemos que o curso natural desses transtornos, com o tempo, não é bom. As chances dos sintomas se agravarem provocando sofrimento em quem convive com o paciente e ao próprio paciente são elevadas, ainda que o problema seja leve. As chances da patologia se agravar ou se associar a outros transtornos ansiosos e depressivos também é considerável, além de aumentar as chances de dependência química a substâncias ilícitas. A luta do paciente contra os sintomas ao longo de anos pode gerar um desgaste psicológico intratável em curto prazo, mesmo com medicações.
Ainda não existem posturas seguras para o tratamento de longo prazo (anos) dos pacientes. Os psiquiatras ainda não sabem bem o que fazer, mas a tendência que as pesquisas têm mostrado é a necessidade de manter, por cada vez mais tempo, os remédios que obtiveram sucesso no tratamento, o que está se tornando possível graças aos novos psicotrópicos com poucos efeitos colaterais.
A cronicidade das doenças deve ser bem conhecida pelos psiquiatras e psicólogos, pois é comum o julgamento das condutas assumidas por colegas, principalmente quando não são conhecidos. Receber um paciente descompensado quanto ao tratamento e criticar o médico que o acompanha é muito fácil. Assim como é fácil dizer que determinado profissional é bom porque esta ou aquela pessoa ficou boa com ele. Muitas vezes o problema foi embora sozinho e os atributos são conferidos ao profissional, assim como também a culpa pela não melhora dos pacientes. Não se pode julgar um remédio ou um profissional pelo benefício ou falta de benefício obtido. Esse julgamento deve ser realizado com base nas características da doença e sua resposta às medicações empregadas, considerando o tempo e dose empregados.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Saúde Mental e Trabalho


Vive-se uma época de crise mundial, de transformações econômica, social e política. Na luta pela sobrevivência e realização profissional, observa-se cada vez mais uma centralidade do trabalho na vida dos trabalhadores, em detrimento do tempo de lazer. Além disso, novas formas de organização do trabalho, novas tecnologias e a precarização do mesmo, trazem o temor do desemprego e a intensificação do trabalho. São situações que podem favorecer a saúde ou a doença.
Analisando a inter-relação entre saúde mental e trabalho, há dois aspectos consideráveis: o estresse e os distúrbios psíquicos.
É importante levar em conta o papel da organização do trabalho relacionado aos efeitos negativos ou positivos que esta possa exercer sobre o funcionamento psíquico e a vida mental do trabalhador.
 Entende-se por organização do trabalho a divisão das tarefas e a divisão dos homens. A divisão das tarefas envolve o conteúdo das tarefas, o modo operatório e tudo que é determinado pela organização do trabalho. A divisão dos homens compreende a forma pela qual as pessoas são divididas em uma empresa e as relações humanas que aí se estabelecem. Nesse aspecto, deve-se ter ainda em atenção que nem sempre a organização do trabalho formalizada pela empresa, coincide com a organização do trabalho real, ou seja, com o modo operatório dos trabalhadores. Segundo o  psiquiatra  o descompasso entre as duas favoreceria o aparecimento do sofrimento mental, uma vez que levaria o trabalhador à necessidade de transgredir para poder executar a tarefa.
Em se tratando do estresse, pode ser concebido como um desequilíbrio entre as demandas do trabalho e a capacidade de resposta dos trabalhadores. Jornadas extensas e horas-extras, excesso de trabalho, pressão por produção, metas irreais e sempre crescentes a cumprir, gestão inadequada (por ex. remanejamento para função incompatível às características de personalidade); são alguns problemas relacionados à organização do trabalho e, portanto, potencialmente estressantes. Quantos já não passaram por isto? E como desenvolver uma vida saudável no trabalho?
A situação saudável de trabalho seria aquela que permitisse o desenvolvimento do indivíduo, alternando exigências e períodos de repouso com o controle do trabalhador sobre o processo de trabalho. Não se trata de idealismo, mas uma necessidade vital para a saúde do trabalhador.
Outro conceito relacionado ao tema diz respeito ao desgaste psíquico, que compreende 3 quadros clínicos: O desgaste orgânico da mente (seja em acidentes do trabalho, seja pela ação de produtos tóxicos); o mal-estar psíquico (a fadiga mental e física é uma delas); e nos casos que afetam a identidade do trabalhador, ao atingir valores e crenças que podem ferir a dignidade e a esperança.  Em suma, a inter-relação saúde mental e trabalho abrange do mal-estar ao quadro psiquiátrico, incluindo o sofrimento mental. O sofrimento mental é a experiência subjetiva intermediária entre doença mental descompensada e o conforto (ou bem-estar) psíquico.
Os sinais e sintomas podem caracterizar o medo, estresse, ansiedade (inclusive de teor persecutório), depressão, nervosismo, tensão, perda de apetite, distúrbios de sono, distúrbios psicossomáticos (gastrite, crises hipertensivas), e ainda há aqueles que sonham com o trabalho, sem conseguir desligar-se, etc.
De maneira geral, pode-se afirmar que, quanto menor a autonomia do trabalhador na organização de sua atividade, maiores as possibilidades de que a atividade gere transtornos à saúde mental. Porém, o excesso de trabalho e a pressão por produção ocorrem em todos os degraus da hierarquia. Exemplificando, encarregados e gerentes vivem tais situações assim como operários e empregados de balcão.
 Embora apresentem alta prevalência entre a população trabalhadora, os distúrbios psíquicos relacionados ao trabalho, frequentemente deixam de ser reconhecidos como doentes profissionais, no momento da avaliação clínica. Contribuem para tal fato, entre outros motivos, as próprias características dos distúrbios, regularmente mascarados por sintomas físicos, bem como a complexidade inerente à tarefa de definir-se claramente a associação entre tais doenças e o trabalho desenvolvido pelo paciente.
Outra dificuldade importante refere-se a ausência na Classificação Internacional das Doenças, de um grupo de diagnósticos de distúrbios específicos relacionados com o trabalho. Essa não caracterização do papel do trabalho como agravante ou desencadeante de distúrbios psíquicos, ocasiona prejuízos não só à qualidade e à eficácia do tratamento, como aos direitos legais do trabalhador, que deixa de usufruir de benefícios da Segurança Social aos quais eventualmente tenha direito, como por ex. o subsídio de doença. O desafio seria: reconhecer, diagnosticar e fazer a relação causal dos transtornos mentais com o trabalho, considerando as condições ambientais, a organização e a percepção da influência do trabalho no processo de adoecer.
Além dos aspectos da situação de trabalho há de considerar situações extra trabalho, (assaltos por ex.), que podem atuar de forma conjunta no desencadeamento de transtornos mentais. Embora seja uma realidade mais premente no Brasil, a violência é uma situação que já se preocupa em Portugal. A doença relacionada ao assalto compreende a síndrome pós-traumática. O quadro em geral é de irritabilidade, angústia difusa, reações emocionais exageradas. Além disso, o indivíduo revê e revive mentalmente a cena traumática, acompanhado de mal-estar, às vezes com sudorese e taquicardia. Os pesadelos também repetem o evento traumático com distúrbio de sono e um estado de tensão no qual ocorrem sobressaltos, como se a pessoa estivesse em permanente estado de prontidão.
Diante de qualquer sinal ou sintoma, o trabalhador deve procurar ajuda profissional. No caso dos distúrbios, necessita de uma equipe multidisciplinar para o controle do quadro clínico no sentido de resgatar a sua identidade profissional e social, incluindo tratamento com medicação e psicoterapia.
A evolução dos quadros clínicos depende de todo um suporte fornecido (ou não) pela empresa, sindicato, Centro de Saúde, Segurança Social, familiares e instituições, entendendo tal suporte como um conjunto de ações que resgatem essa identidade.
Nos casos de retorno ao trabalho após afastamentos por distúrbios psíquicos, além do tratamento específico, o suporte por parte dos colegas e chefias também é fundamental.
A problemática da demissão é outra realidade, uma vez que muitos deles são demitidos com o quadro clínico em atividade. A demissão representa a exclusão dos trabalhadores, funcionando a situação de trabalho (com organizações rígidas, pressão do tempo e das gerências, etc), como selecionadora de trabalhadores. Além de gerarem a perda do direito à assistência por parte do convénio ou da Segurança Social, levam à perda da identidade profissional e à piora da qualidade de vida, com a diminuição dos recursos financeiros.
Diante de tal realidade, é importante considerar toda a problemática que envolve as situações de trabalho na vida do trabalhador como um dos determinantes no processo saúde/doença. Favorece uma prevenção adequada, e na presença de qualquer distúrbio, evita que o percurso do trabalhador seja mais doloroso e traumático do que a própria doença lhe impõe.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Quais as diferenças entre Psiquiatra, Psicólogo, Psicanalista e Psicoterapeuta?

Há, frequentemente, dúvida sobre as diferenças entre psicólogo, psiquiatra, psicanalista e psicoterapeuta. Embora, estes profissionais possam trabalhar em campos ligados à saúde mental e compartilhem da missão de atender pessoas que anseiam por mudanças em relação ao que fazem ao que sentem e ao que pensam, diferenças importantes podem ser identificadas. Tais diferenças concentram-se na formação do profissional, no modo de compreender o complexo fenômeno do comportamento humano e, consequentemente, nos métodos de intervenção.

O psiquiatra é um profissional com formação em Medicina e com especialização em Psiquiatria. Após a faculdade, então, faz residência em instituições de saúde mental, clínicas e hospitais psiquiátricos. Os conhecimentos desta área e especialidade médica concentram-se nos comportamentos que fogem à "normalidade". Desta forma, o médico psiquiatra está preparado para lidar com os mais variados transtornos mentais (depressão, psicoses, etc). Ele faz uso do sistema de diagnóstico baseado em manuais como CID10 – Código Internacional de Doenças e DSM-IV – Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais. E a principal forma de intervenção utilizada por este profissional é a prescrição de medicamentos como antidepressivos, ansiolíticos e outros psicofármacos.

O psicólogo é um profissional que concluiu a graduação em Psicologia, podendo atuar na área clínica, organizacional, educacional, esportiva e outras. Pode, ainda, atuar com pesquisa em universidades, contribuindo assim para descobertas sobre as variáveis relacionadas ao comportamento humano, normal ou desviante, nos mais variados contextos. Para atuar na área clínica, o psicólogo geralmente complementa a sua formação com cursos (especialização, pós-graduação stricto sensu e lato sensu); ele utiliza a psicoterapia, um conjunto de técnicas e meios para analisar e intervir nos problemas emocionais, comportamentais e/ou transtornos mentais. Na psicoterapia, o psicólogo, através da mediação verbal, conduz o seu cliente a um processo em que este se torna mais consciente das coisas que faz, pensa e sente no seu dia-a-dia e busca proporcionar e ele a aprendizagem de novos comportamentos para lidar com as suas dificuldades. O psicólogo que trabalha com psicologia clínica é também chamado de psicoterapeuta. Embora a psicoterapia derive de teorias psicológicas, o psiquiatra com treinamento adicional e outros profissionais têm, também, utilizado a psicoterapia e se identificado como psicoterapeutas.

Já o psicanalista é um profissional de nível superior, muitas vezes psicólogo ou médico, que faz, posteriormente, um curso numa instituição psicanalítica e submete-se à Psicanálise. Ele atende pessoas com demandas análogas àquelas apresentadas ao psicólogo e psiquiatra. Na Psicanálise, são utilizadas as teorias da personalidade e métodos de tratamento introduzidos por Sigmund Freud. Embora, muito difundida, a Psicanálise, diferente da Psiquiatria e Psicologia, não tem status científico e sua eficácia parece questionável quando se observa o tempo em que os clientes de psicanalistas passam pelo processo psicanalítico sem qualquer melhora significativa.

Pesquisas citadas nas publicações da OMS – Organização Mundial de Saúde e NIMH – National Institute of Mental Health (Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA) têm apontado a combinação de psicofármacos e psicoterapia (tratamento psicológico) como uma das formas em que as pessoas mais se beneficiam quando carecem de intervenção para algum transtorno mental. Assim, quando se busca o psiquiatra e ele faz o encaminhamento para o psicólogo clínico, após a prescrição de um medicamento, resultados mais rápidos podem ser obtidos. O mesmo pode acontecer quando o psicólogo identificando um contexto/ momento crítico pelo qual seu cliente está passando (p. ex. transtorno de estresse pós-traumático após um acidente automobilístico) pode encaminhar seu cliente para o psiquiatra no intuito de que ansiolíticos, antidepressivo ou outros medicamentos possam ser prescritos.