terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Saúde Mental e Trabalho


Vive-se uma época de crise mundial, de transformações econômica, social e política. Na luta pela sobrevivência e realização profissional, observa-se cada vez mais uma centralidade do trabalho na vida dos trabalhadores, em detrimento do tempo de lazer. Além disso, novas formas de organização do trabalho, novas tecnologias e a precarização do mesmo, trazem o temor do desemprego e a intensificação do trabalho. São situações que podem favorecer a saúde ou a doença.
Analisando a inter-relação entre saúde mental e trabalho, há dois aspectos consideráveis: o estresse e os distúrbios psíquicos.
É importante levar em conta o papel da organização do trabalho relacionado aos efeitos negativos ou positivos que esta possa exercer sobre o funcionamento psíquico e a vida mental do trabalhador.
 Entende-se por organização do trabalho a divisão das tarefas e a divisão dos homens. A divisão das tarefas envolve o conteúdo das tarefas, o modo operatório e tudo que é determinado pela organização do trabalho. A divisão dos homens compreende a forma pela qual as pessoas são divididas em uma empresa e as relações humanas que aí se estabelecem. Nesse aspecto, deve-se ter ainda em atenção que nem sempre a organização do trabalho formalizada pela empresa, coincide com a organização do trabalho real, ou seja, com o modo operatório dos trabalhadores. Segundo o  psiquiatra  o descompasso entre as duas favoreceria o aparecimento do sofrimento mental, uma vez que levaria o trabalhador à necessidade de transgredir para poder executar a tarefa.
Em se tratando do estresse, pode ser concebido como um desequilíbrio entre as demandas do trabalho e a capacidade de resposta dos trabalhadores. Jornadas extensas e horas-extras, excesso de trabalho, pressão por produção, metas irreais e sempre crescentes a cumprir, gestão inadequada (por ex. remanejamento para função incompatível às características de personalidade); são alguns problemas relacionados à organização do trabalho e, portanto, potencialmente estressantes. Quantos já não passaram por isto? E como desenvolver uma vida saudável no trabalho?
A situação saudável de trabalho seria aquela que permitisse o desenvolvimento do indivíduo, alternando exigências e períodos de repouso com o controle do trabalhador sobre o processo de trabalho. Não se trata de idealismo, mas uma necessidade vital para a saúde do trabalhador.
Outro conceito relacionado ao tema diz respeito ao desgaste psíquico, que compreende 3 quadros clínicos: O desgaste orgânico da mente (seja em acidentes do trabalho, seja pela ação de produtos tóxicos); o mal-estar psíquico (a fadiga mental e física é uma delas); e nos casos que afetam a identidade do trabalhador, ao atingir valores e crenças que podem ferir a dignidade e a esperança.  Em suma, a inter-relação saúde mental e trabalho abrange do mal-estar ao quadro psiquiátrico, incluindo o sofrimento mental. O sofrimento mental é a experiência subjetiva intermediária entre doença mental descompensada e o conforto (ou bem-estar) psíquico.
Os sinais e sintomas podem caracterizar o medo, estresse, ansiedade (inclusive de teor persecutório), depressão, nervosismo, tensão, perda de apetite, distúrbios de sono, distúrbios psicossomáticos (gastrite, crises hipertensivas), e ainda há aqueles que sonham com o trabalho, sem conseguir desligar-se, etc.
De maneira geral, pode-se afirmar que, quanto menor a autonomia do trabalhador na organização de sua atividade, maiores as possibilidades de que a atividade gere transtornos à saúde mental. Porém, o excesso de trabalho e a pressão por produção ocorrem em todos os degraus da hierarquia. Exemplificando, encarregados e gerentes vivem tais situações assim como operários e empregados de balcão.
 Embora apresentem alta prevalência entre a população trabalhadora, os distúrbios psíquicos relacionados ao trabalho, frequentemente deixam de ser reconhecidos como doentes profissionais, no momento da avaliação clínica. Contribuem para tal fato, entre outros motivos, as próprias características dos distúrbios, regularmente mascarados por sintomas físicos, bem como a complexidade inerente à tarefa de definir-se claramente a associação entre tais doenças e o trabalho desenvolvido pelo paciente.
Outra dificuldade importante refere-se a ausência na Classificação Internacional das Doenças, de um grupo de diagnósticos de distúrbios específicos relacionados com o trabalho. Essa não caracterização do papel do trabalho como agravante ou desencadeante de distúrbios psíquicos, ocasiona prejuízos não só à qualidade e à eficácia do tratamento, como aos direitos legais do trabalhador, que deixa de usufruir de benefícios da Segurança Social aos quais eventualmente tenha direito, como por ex. o subsídio de doença. O desafio seria: reconhecer, diagnosticar e fazer a relação causal dos transtornos mentais com o trabalho, considerando as condições ambientais, a organização e a percepção da influência do trabalho no processo de adoecer.
Além dos aspectos da situação de trabalho há de considerar situações extra trabalho, (assaltos por ex.), que podem atuar de forma conjunta no desencadeamento de transtornos mentais. Embora seja uma realidade mais premente no Brasil, a violência é uma situação que já se preocupa em Portugal. A doença relacionada ao assalto compreende a síndrome pós-traumática. O quadro em geral é de irritabilidade, angústia difusa, reações emocionais exageradas. Além disso, o indivíduo revê e revive mentalmente a cena traumática, acompanhado de mal-estar, às vezes com sudorese e taquicardia. Os pesadelos também repetem o evento traumático com distúrbio de sono e um estado de tensão no qual ocorrem sobressaltos, como se a pessoa estivesse em permanente estado de prontidão.
Diante de qualquer sinal ou sintoma, o trabalhador deve procurar ajuda profissional. No caso dos distúrbios, necessita de uma equipe multidisciplinar para o controle do quadro clínico no sentido de resgatar a sua identidade profissional e social, incluindo tratamento com medicação e psicoterapia.
A evolução dos quadros clínicos depende de todo um suporte fornecido (ou não) pela empresa, sindicato, Centro de Saúde, Segurança Social, familiares e instituições, entendendo tal suporte como um conjunto de ações que resgatem essa identidade.
Nos casos de retorno ao trabalho após afastamentos por distúrbios psíquicos, além do tratamento específico, o suporte por parte dos colegas e chefias também é fundamental.
A problemática da demissão é outra realidade, uma vez que muitos deles são demitidos com o quadro clínico em atividade. A demissão representa a exclusão dos trabalhadores, funcionando a situação de trabalho (com organizações rígidas, pressão do tempo e das gerências, etc), como selecionadora de trabalhadores. Além de gerarem a perda do direito à assistência por parte do convénio ou da Segurança Social, levam à perda da identidade profissional e à piora da qualidade de vida, com a diminuição dos recursos financeiros.
Diante de tal realidade, é importante considerar toda a problemática que envolve as situações de trabalho na vida do trabalhador como um dos determinantes no processo saúde/doença. Favorece uma prevenção adequada, e na presença de qualquer distúrbio, evita que o percurso do trabalhador seja mais doloroso e traumático do que a própria doença lhe impõe.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Quais as diferenças entre Psiquiatra, Psicólogo, Psicanalista e Psicoterapeuta?

Há, frequentemente, dúvida sobre as diferenças entre psicólogo, psiquiatra, psicanalista e psicoterapeuta. Embora, estes profissionais possam trabalhar em campos ligados à saúde mental e compartilhem da missão de atender pessoas que anseiam por mudanças em relação ao que fazem ao que sentem e ao que pensam, diferenças importantes podem ser identificadas. Tais diferenças concentram-se na formação do profissional, no modo de compreender o complexo fenômeno do comportamento humano e, consequentemente, nos métodos de intervenção.

O psiquiatra é um profissional com formação em Medicina e com especialização em Psiquiatria. Após a faculdade, então, faz residência em instituições de saúde mental, clínicas e hospitais psiquiátricos. Os conhecimentos desta área e especialidade médica concentram-se nos comportamentos que fogem à "normalidade". Desta forma, o médico psiquiatra está preparado para lidar com os mais variados transtornos mentais (depressão, psicoses, etc). Ele faz uso do sistema de diagnóstico baseado em manuais como CID10 – Código Internacional de Doenças e DSM-IV – Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais. E a principal forma de intervenção utilizada por este profissional é a prescrição de medicamentos como antidepressivos, ansiolíticos e outros psicofármacos.

O psicólogo é um profissional que concluiu a graduação em Psicologia, podendo atuar na área clínica, organizacional, educacional, esportiva e outras. Pode, ainda, atuar com pesquisa em universidades, contribuindo assim para descobertas sobre as variáveis relacionadas ao comportamento humano, normal ou desviante, nos mais variados contextos. Para atuar na área clínica, o psicólogo geralmente complementa a sua formação com cursos (especialização, pós-graduação stricto sensu e lato sensu); ele utiliza a psicoterapia, um conjunto de técnicas e meios para analisar e intervir nos problemas emocionais, comportamentais e/ou transtornos mentais. Na psicoterapia, o psicólogo, através da mediação verbal, conduz o seu cliente a um processo em que este se torna mais consciente das coisas que faz, pensa e sente no seu dia-a-dia e busca proporcionar e ele a aprendizagem de novos comportamentos para lidar com as suas dificuldades. O psicólogo que trabalha com psicologia clínica é também chamado de psicoterapeuta. Embora a psicoterapia derive de teorias psicológicas, o psiquiatra com treinamento adicional e outros profissionais têm, também, utilizado a psicoterapia e se identificado como psicoterapeutas.

Já o psicanalista é um profissional de nível superior, muitas vezes psicólogo ou médico, que faz, posteriormente, um curso numa instituição psicanalítica e submete-se à Psicanálise. Ele atende pessoas com demandas análogas àquelas apresentadas ao psicólogo e psiquiatra. Na Psicanálise, são utilizadas as teorias da personalidade e métodos de tratamento introduzidos por Sigmund Freud. Embora, muito difundida, a Psicanálise, diferente da Psiquiatria e Psicologia, não tem status científico e sua eficácia parece questionável quando se observa o tempo em que os clientes de psicanalistas passam pelo processo psicanalítico sem qualquer melhora significativa.

Pesquisas citadas nas publicações da OMS – Organização Mundial de Saúde e NIMH – National Institute of Mental Health (Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA) têm apontado a combinação de psicofármacos e psicoterapia (tratamento psicológico) como uma das formas em que as pessoas mais se beneficiam quando carecem de intervenção para algum transtorno mental. Assim, quando se busca o psiquiatra e ele faz o encaminhamento para o psicólogo clínico, após a prescrição de um medicamento, resultados mais rápidos podem ser obtidos. O mesmo pode acontecer quando o psicólogo identificando um contexto/ momento crítico pelo qual seu cliente está passando (p. ex. transtorno de estresse pós-traumático após um acidente automobilístico) pode encaminhar seu cliente para o psiquiatra no intuito de que ansiolíticos, antidepressivo ou outros medicamentos possam ser prescritos.

sábado, 17 de dezembro de 2011

CAPS GERAL confraternizando com muita alegria...

Estamos no final de mais um ano, foram muitas dificuldades mais nada impediu de que a nossa unidade e os nossos usuários não pudesse ter uma festa de confraternização recheada de muita alegria e harmonia . O CAPS GERAL SER VI teve uma festa digna e necessária, afinal nós somos uma equipe, confira as imagens a seguir.





Tivemos música, poesia, dança, atividades e muita alegria...



















domingo, 4 de dezembro de 2011

Quando a ansiedade vira problema


Ela é tão comum quanto a alegria, a tristeza, o medo. Faz parte da constituição das emoções humanas. Aprender a notar os próprios sinais e modificar a maneira como vivencia o cotidiano pode ser os caminhos para evitar que o comum se torne problema e crise

Muitas são as pessoas que se definem como ansiosas. Entretanto, a ansiedade é algo normal e necessário para enfrentar o dia a dia, as obrigações e as expectativas. Ao se fazer uma prova, ao se submeter a uma entrevista de emprego, ao não saber o que vem em seguida. Segundo Tatiana Tostes, psicóloga e professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), todos nós temos quadros de ansiedade em situações pontuais.

“A ansiedade faz sempre referência a algo que está fora do meu controle, algo que me é estranho, mas que não é de todo desconhecido. É como se fosse alguém que está para chegar, eu sei que vai chegar, mas não sei quem é”, indica Tatiana Tostes.

Ela complementa que o cenário atual favorece esses quadros, pois estamos o tempo inteiro às vias de situações concretas que nos colocam diante daquilo que não podemos controlar, o que nos deixa em alerta.

Para o psiquiatra Fabio Gomes de Matos, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), a quantidade de tarefas que as pessoas se propõem a dar conta não condiz com o tempo disponível, o que também favorece experiências de quadros ansiosos.

“É uma sociedade que vai se tornar cada dia mais ansiosa, a não ser que as pessoas entendam e revejam seus processos”, o comenta. E entre essas pessoas, o psiquiatra indica que as mulheres têm o dobro de casos de ansiedade em comparação com os homens.

O psiquiatra ressalta que não existem comprovações científicas para essa prevalência, mas a hipótese de que existe uma percepção feminina do mundo que é diferente da percepção masculina pode ser levada em conta.

Ele lembra que existe uma quantidade ímpar de tarefas que as mulheres se envolvem que causam ansiedade. “É muita coisa no ar para que as mulheres possam fazer algum tipo de otimização em todas as áreas”, opina o psiquiatra.

Entre homens e mulheres, reconhecer quando a ansiedade passou a ser um problema e buscar ajuda são os preceitos para uma vida com qualidade. Ela, ansiosa e em processo de conhecimento, admite que, até ir buscar ajuda ter consciência que o que tem não era frescura ou exagero, aconteceu uma luta na própria mente. Ele lembra que a crise de ansiedade, que o levou a perder o emprego, foi a única maneira que permitiu que visse o que estava acontecendo.

“Assim como eu, muita gente deixa para procurar ajuda quando está em crise. Eu poderia não ter chegado a uma situação de estresse tão grave se houvesse admitido o problema antes”, comenta ele, que tem 36 anos, trabalha em negócio próprio e recuperou o relacionamento familiar.

Com a relevância do tema para a saúde das pessoas, a Ciência e Saúde buscam os limites da ansiedade e o impacto que causa na qualidade de vida das pessoas, assim como as formas indicadas para lidar com essa realidade.

Ansioso, mas com qualidade de vida.
Mesmo a ansiedade sendo natural ao ser humano, chega um ponto em que ela se torna um problema difícil de conviver. E é nesse momento em que a ajuda se coloca como uma necessidade para que a qualidade de vida seja uma realidade.

“Como ansiedade é algo que todo mundo tem, achamos que o que temos é normal, que deve ser besteira e isso faz com que a gente demore muito até perceber que é mais sério do que pensamos”, comentou aquela que sempre foi ansiosa, agoniada e queria fazer tudo de uma vez. Ela opta por não se identificar para evitar o julgamento dos outros, ainda atrelados ao desconhecimento e ao preconceito.
No começo, acreditava que a ansiedade era mais uma característica sua e, como conseguia relaxar no fim de um trabalho ou em um feriado, não a afetava.

O problema surgiu quando a ansiedade foi ficando pior e constante. “Não dependia mais da época, se tinha algo importante no trabalho ou não. Eu me preocupava extremamente com tudo. Deixar algo para o dia seguinte era uma noite mal dormida com certeza”.

E foi nesse momento em que surgiram os sintomas físicos: dor de cabeça, tontura, enjoo e dor de barriga, devidamente ignorados e relegados a uma virose. “Isso foi ficando constante e, depois, comecei a ter umas crises: coração disparava, ficava com falta de ar, mãos e lábios formigavam. Foi nesse ponto em que procurei ajuda”.

Tatiana Tostes, psicóloga e professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), explica que a ansiedade passa a ser patológica quando traz sofrimento. Ela lembra que o ideal para aquela pessoa que tem traços de ansiedade na sua personalidade é que encontre saídas como atividades esportivas e artísticas.

Psicoteapia

Entretanto, quando essas estratégias não dão conta e a sensação de desconforto continua constante, é hora de buscar uma psicoterapia, comenta Tatiana, que é membro do Laboratório de Pesquisa em Psicologia e Saúde da Unifor (Lapsis) e do Laboratório de Estudos e Intervenções Psicanalíticas na Clínica e no Social (Leipcs)

O psiquiatra Fabio Gomes de Matos, professor do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), esclarece que a incapacitação, o incômodo ou o fato de que algo é hiperdimensionado em relação aos outros são critérios que podem indicar quando a ansiedade se tornou um problema e precisa de tratamento.

E se há um quadro mais grave envolvendo sintomas físicos e fisiológicos, pode ser necessário um acompanhamento e uma intervenção medicamentosa para conter a situação.

Foi o caso do profissional de 36 anos que sofreu uma crise de estresse em um contexto de trabalho que não diferenciava dia, noite e fim de semana. Um amigo notou a diferença comportamental e o levou para o Hospital de Saúde Mental de Messejana (HSMM), onde ele foi diagnosticado com estresse e ansiedade.

Naquele momento, ele já contabilizava uma semana dormindo uma hora por noite. Por isso, foi necessária a administração de medicamentos para dormir e para controlar a ansiedade, que foi diminuindo com o tempo.

A ansiedade, que sempre esteve presente, deu um alerta com a crise. “Hoje, eu consigo enxergar a vida diferente. Eu continuo com a ansiedade, mas estou lidando com ela. Voltei a surfar por indicação médica, estou mais próximo do meu filho, tive que entender que as coisas não precisam ser todas para hoje”, descreve.  (Jornal O POVO - edição de 04/12/11. Domingo).


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Reação de Interrupção dos Antidepressivos


A interrupção dos antidepressivos pode trazer uma síndrome de abstinência há muito conhecida, mas pouco falada. A importância deste tema transcende a psiquiatria, pois estas medicações são usadas também com outras finalidades médico como antálgico, (Que combate a dor; analgésico por exemplo).
A incidência das reações de suspensão da medicação não é bem conhecida e não há consenso para se definir os limites desta síndrome. Há mais chances de ela ocorrer após um tratamento prolongado. Há um estudo realizado com a paroxetina: nele foi mostrado que após 12 semanas de tratamento, 35% dos pacientes tiveram por duas semanas sintomas de abstinência leves a moderados.
A reação de interrupção costuma iniciar-se logo depois da suspensão da medicação. Seu início é abrupto, pode durar de dias a poucas semanas, cedendo espontaneamente após isso. Os principais sintomas são: náuseas, dores abdominais, diarréia, insônia, pesadelos, sonhos vívidos, sudorese, letargia, cefaléia, ansiedade, irritabilidade, certo grau de distimia. Este quadro desaparece dentro de 24h após a reintrodução do respectivo antidepressivo.
Os inibidores da recaptação da serotonina provocam um quadro distinto, com tonteiras, sensação de leveza na cabeça, parestesias, sensação de surdez, sensações de choque elétrico.
A grande dificuldade no caso dos antidepressivos tricíclicos é saber se as queixas após a interrupção da medicação foram devidas a interrupção ou um recrudescimento do transtorno de antes do tratamento. A diferenciação é feita da seguinte maneira: a abstinência é limitada, após um período ela cede, enquanto os transtorno de ansiedade e depressão permanecem. A depressão é de recrudescimento lento, e a abstinência se inicia em 24h após a suspensão da medicação. Por outro lado a resolução da abstinência ocorre no dia seguinte a reintrodução da medicação, enquanto a depressão novamente é lenta, levando dias a semanas para responder a reintrodução da medicação.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

As faces do transtorno bipolar


Há dias em que a euforia bate no céu. Em outros a depressão leva ao fundo do poço. A novidade sobre essa gangorra de emoções é que os cientistas confirmam a suspeita de que uma molécula presente no cérebro e no sangue pode apontar a predisposição para a doença (sim, é doença!) com boa margem de segurança. É como levar uma vida dupla. Uma hora a euforia toma conta e leva o organismo ao seu limite de excitação, até mesmo sexual. É energia que não acaba mais, a ponto de o sono tornar-se quase desnecessário. Perde-se a capacidade de julgamento e a autocrítica e há quem se torne irritadiço.

Para descrever esse estado de ânimo os médicos utilizam o termo mania. Ela é um dos extremos de uma doença caracterizada por uma profunda instabilidade de humor, o qual oscila entre esse estado eufórico intenso e o seu oposto, a depressão. Para os portadores do transtorno bipolar, doença que há poucos anos era conhecida como psicose maníaco-depressiva, encontrar o equilíbrio entre as duas pontas das emoções radicais é como tentar andar sobre um terreno movediço. É o pessoal do oito ou oitenta. Diferente de quem tem um humor saudável, os que sofrem desse transtorno não costumam ser previsíveis ou flexíveis e também não respondem com proporcionalidade aos estímulos. Acredita-se que 1% da população mundial conviva com o tipo 1 da doença, considerado o mais grave.

Pode até parecer pouco, mas na verdade o transtorno bipolar é um tormento para muito mais gente. Estima-se que cerca de 5% dos brasileiros tenham instabilidades de humor em algum grau. Feitos os cálculos, os brasileiros alterados somam aproximadamente 9 milhões. Muitos deles nem sabem do próprio distúrbio. Outros, ainda pior, são tratados da maneira errada. Nesses casos o diagnóstico costuma ser esquizofrenia ou simplesmente depressão.

Sabe-se que essa é uma doença em grande parte determinada pelo histórico familiar. Uma criança que tem um dos pais com transtorno bipolar apresenta uma probabilidade de 15% a 20% de manifestar o mesmo problema. Um estudo, realizado com gêmeos idênticos, mostrou ainda que, se um deles tem a doença, o risco de o outro também vir a ser uma vítima é de 80%. A mais recente descoberta sobre a origem do mal vem de um grupo de pesquisa do Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Os cientistas andavam em busca de uma pista sobre a relação entre o transtorno bipolar e a molécula BDNF (sigla em inglês para fator neurotrófico derivado do cérebro), cuja atuação na memória já era bem conhecida. As evidências dessa ligação ficaram muito claras em seu estudo.

O trabalho mostrou que os bipolares têm menos BDNF no sangue do que as pessoas normais. Quanto menores os teores no sangue, maior a gravidade da doença. Como os níveis dessa molécula são ditados pela genética, a esperança é de que ela possa vir a ser um marcador da doença. O teste ainda é experimental, mas deverá se tornar rotina médica nos próximos anos.

Como todo distúrbio da mente humana, a bipolaridade também é determinada pela maneira como lidamos com as adversidades. Muitas vezes pode-se herdar o gene que leva a uma predisposição, mas, sem um evento estressante, o transtorno não se desenvolve. Em caso de estresse emocional ou abuso de drogas, os riscos ficam de quatro a cinco vezes maiores. O problema geralmente dá as caras no final da adolescência e no início da vida adulta, mas as crianças também são o alvo. Na infância, aliás, não raro ele ser confundido com distúrbio do déficit de atenção e hiperatividade. Crianças diagnosticadas assim, mas que não respondem ao tratamento pode ter na realidade o transtorno bipolar. Descobrir a doença cedo e controlá-la o quanto antes ajuda seu portador a levar uma vida normal.

As oscilações do humor podem ser trágicas. Uma depressão prolongada, daquelas que chegam a durar meses ou mesmo anos, muitas vezes são o estopim de uma tentativa de suicídio. No outro extremo, o da mania, algumas semanas de crise são suficientes para pôr toda uma vida a perder. Relações são desfeitas e o dinheiro economizado por décadas, torrado em poucos dias. Não precisa ser assim. O.k., não há cura para o transtorno bipolar, mas, como outras doenças crônicas, trata-se de um mal controlável.

Em casos de bipolaridade, os remédios conhecidos como estabilizadores do humor são fundamentais para o tratamento do tipo 1 e para alguns pacientes do tipo 2, como os médicos chamam uma forma mais moderada do transtorno. Qualquer que seja o tipo, porém, o maior problema costuma ser a resistência do paciente a tomar os medicamentos. Um dos motivos está nos efeitos colaterais. O lítio, por exemplo, que ainda é uma das drogas mais usadas, pode provocar ganho de peso, tremores, aumento do apetite e retenção de líquido um sufoco que, parece, as mulheres têm ainda mais dificuldade para enfrentar. Porém, os benefícios são muito maiores do que os efeitos colaterais. Mas é bom que fique claro: nenhum remédio, sozinho, opera milagres. Ele pode restaurar o equilíbrio químico dentro do cérebro, mas e as emoções?

Hoje, até os cartesianos mais ferrenhos já deixaram de considerar a mente e o corpo como estruturas absolutamente separadas. No caso do transtorno bipolar, diga-se, estão intimamente ligadas. E é aí que entra a psicoterapia, como peça fundamental do tratamento dos bipolares. Não se trata de uma doença mental apenas, mas um mal sistêmico que afeta o indivíduo como um todo. Esse paciente requer uma equipe multidisciplinar. Descobriu-se que os pacientes bipolares têm no cérebro uma quantidade menor de enzimas antioxidantes em comparação com o resto da população. Essas substâncias são essenciais para a manutenção da saúde ao evitar mutações genéticas que podem dar início ao câncer, por exemplo. Os bipolares têm maior incidência de morte por tumores, doenças cardiovasculares e diabetes. A busca é por métodos que permitam aos pacientes ficar livres não só das alterações do ânimo, mas de outros danos.

Doença do corpo e da mente, a bipolaridade também pode se enquadrar em outra categoria, a de doença social. Afinal de contas, muitas vezes não é o transtorno em si o que mais preocupa os pacientes, mas a reação das outras pessoas. Em outras palavras, é preconceito mesmo. E contra isso muitas vezes o melhor antídoto é fazer parte de um grupo. O convívio social faz parte da terapia porque o doente discute situações comuns a todos os portadores e um ajuda o outro.

Ora, se a vida é dupla e a doença é tripla, a conta só fecha porque as soluções são múltiplas. O sobe-e-desce das emoções. As fases eufóricas são chamadas de mania. As mais brandas, de hipomania. Podem durar de alguns dias até longos meses, assim como as fases da depressão.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Os benefícios do exercício físico na saúde mental

O estresse, a ansiedade tem assolado mais e mais as pessoas. Vivemos num mundo competitivo, quase sempre somos compelidos a fazer exageros e adoecemos por pressão psicológica e estresse elevado no trabalho. 
Nos últimos tempos temos observado um crescimento notório do número de pessoas que tem recorrido à prática de exercício e de atividade física como forma de procurar o bem estar físico e psicológico para suas fadigas do dia-a-dia.
Podemos observar quase diariamente, pessoas de várias idades, de ambos os sexos, a correr, caminhar, andar de bicicleta ou patins, entregando-se à prática do exercício e da atividade física. 
Quando questionamos as pessoas sobre as razões pelas quais se entregam à prática de exercício e atividade física a resposta é quase unânime. Respondem, que o fazem porque se sentem bem, porque as faz sentir melhor ou porque as ajuda a combater o estress do dia-a-dia. 
De um modo geral, a prática regular de exercício e de atividade física, além de vários benefícios para a saúde, ajuda a libertar a tensão e melhora o bem estar psicológico.

Veja como o exercício físico está relacionado á saúde mental:

1)Redução da ansiedade;
2)Redução da depressão;
3)Aumenta a sensação de bem-estar;
4)Beneficia (ansiedade e depressão) semelhantemente aos outros tratamentos;
5)Reduz a agressividade e a ansiedade;
6)Aumenta a longevidade;
7)Melhora o sono e aumenta a energia;
8)Diminui o risco de morte prematura;
9)Atividade física está associada com positiva autoestima;
10)Atividade física está associada com sono repousante;
11)Atividade física está associada com habilidade para responder ao estresse.

Pratique saúde. Saia da poltrona e exercite-se!