sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Quando alguém que amamos tem um distúrbio mental


 Parecia ser uma manhã como outra qualquer para a família Silva . Os quatro membros da família estavam prontos para as atividades do dia. Gaida lembrava o filho, Marcos, de 14 anos, que ele estava atrasado para pegar o ônibus escolar. O que aconteceu em seguida foi completamente inesperado. Em meia hora, Marcos pichou uma parede do quarto, quase incendiou a garagem e tentou se enforcar no sótão.
Desesperados, Gaida e seu marido Francisco seguiram a ambulância que levava Marcos, tentando entender o que acabara de acontecer. Infelizmente, porém, era só o começo. Seguiram-se muitos surtos psicóticos, mergulhando Marcos no mundo obscuro da doença mental. Foram cinco anos de angústia com várias tentativas de suicídio, duas prisões, internação em sete clínicas psiquiátricas e inúmeras consulta com especialistas em saúde mental. Amigos e parentes muitas vezes ficavam perdidos, sem saber o que dizer ou fazer.
Segundo estimativas, 1 em cada 4 pessoas no mundo serão afligidas por uma doença mental em algum momento de sua vida. Considerando essa surpreendente estatística, é provável que você tenha pai ou mãe, filho, irmão ou amigo que sofra de algum distúrbio mental.  O que fazer se alguém que você ama apresenta esse quadro?
• Reconheça os sintomas.
 Um distúrbio mental talvez não seja diagnosticado imediatamente. Amigos e familiares podem achar que os sintomas são provocados por mudanças hormonais, doenças físicas, fraqueza de personalidade ou circunstâncias difíceis. A mãe de Marcos vinha percebendo há algum tempo que algo estava errado com Marcos, mas ela e o marido acharam que sua instabilidade emocional era uma fase da adolescência e que logo passaria. No entanto, mudanças significativas no sono, na alimentação ou no comportamento podem indicar algo mais sério. Procurar um especialista pode ser de ajuda para conseguir um tratamento eficaz e melhorar a qualidade de vida de quem passa por isso.
• Informe-se.
 Pessoas com distúrbios mentais geralmente têm pouca capacidade de entender sua própria condição. Por isso, a informação que você conseguir de fontes atuais e confiáveis poderá ajudá-lo a compreender o que a pessoa está passando. Poderá também ajudá-lo a saber conversar com outros abertamente e com conhecimento de causa. Gaida, por exemplo, deu aos avós de Marcos alguns impressos médicos sobre a doença para que ficassem mais informados e soubessem como cooperar em vista do problema.
• Procure um tratamento.
Apesar de alguns distúrbios mentais serem de natureza persistente, com tratamento adequado os portadores dessas doenças podem ter uma vida estável e produtiva. Infelizmente, muitos definham por anos sem conseguir ajuda. Assim como um problema sério de coração requer um especialista, doenças mentais necessitam da atenção de pessoas que saibam como tratar esses distúrbios. Psiquiatras, por exemplo, podem prescrever medicamentos que, quando usados corretamente, podem ajudar a controlar o humor, aliviam a ansiedade e corrigem padrões de raciocínio distorcidos.%
• Incentive o paciente a buscar ajuda.
Pessoas com distúrbios mentais nem sempre se dão conta de que precisam de ajuda. Você talvez possa sugerir que o paciente procure um especialista, leia alguns artigos sobre o problema ou converse com alguém que tenha conseguido lidar com um distúrbio similar. Pode acontecer de a pessoa não ser receptiva aos seus conselhos. Mas não deixe de fazer tudo ao seu alcance para ajudar alguém que está sob seus cuidados e corre o risco de prejudicar a si mesmo e a outros.
• Evite lançar a culpa em alguém.
 Os cientistas ainda não conseguiram chegar a uma conclusão quanto à interação complexa de fatores genéticos, ambientais e sociais que contribuem para o funcionamento anormal do cérebro. A combinação de fatores que pode provocar um distúrbio mental inclui lesão cerebral, abuso de substâncias, ambientes estressantes, desequilíbrios bioquímicos e predisposição genética. Não adianta acusar o paciente de coisas que você acha que ele fez e que possam ter levado à doença. É melhor canalizar suas energias para dar apoio e encorajamento.
• Tenha expectativas realistas.
 Exigir demais do doente pode ser desanimador. Por outro lado, enfatizar demais as limitações dele pode fazê-lo sentir-se derrotado. Por isso, procure ser realista nas suas expectativas. Logicamente, não se devem tolerar atitudes erradas. Assim como acontece com outras pessoas, os que têm um distúrbio mental também podem aprender com as consequências de seus atos. Caso haja comportamento violento, talvez seja necessário recorrer à lei ou impor certas restrições a fim de proteger a própria pessoa e outros.
• Mantenha-se achegado.
 A comunicação é vital, mesmo que às vezes lhe pareça que seus comentários são mal interpretados. As reações de alguém com distúrbio mental podem ser imprevisíveis e impróprias para aquela situação. Contudo, repreender a pessoa por suas palavras impensadas só vai acrescentar sentimento de culpa à depressão já existente. Quando tudo o que você diz parece não surtir efeito, fique quieto e escute. Respeite os sentimentos e pensamentos do doente, sem condená-lo. Esforce-se em manter a calma. Você e a pessoa amada se beneficiarão se você simplesmente mostrar que se importa com ela e o fizer de maneira constante. Foi assim no caso de Marcos. Alguns anos mais tarde, ele expressou seu apreço dizendo: “[Essas pessoas] me ajudaram apesar de eu não querer ajuda.”.
• Leve em conta as necessidades dos outros membros da família.
 Quando a família se vê obrigada a concentrar sua atenção em alguém que está doente, os outros membros podem acabar sendo negligenciados. Por algum tempo, a irmã de Marcos, Julia, sentiu-se “deixada de lado devido à doença dele”. Ela era modesta quanto às suas realizações, para não atrair a atenção a si mesma. Entretanto, parecia que seus pais exigiam cada vez mais dela, como que para compensar as deficiências do irmão. Alguns irmãos negligenciados dessa forma procuram chamar a atenção criando problemas. As famílias que enfrentam esse tipo de situação precisam de ajuda para lidar com isso. Por exemplo, quando a família Johnson ficou absorta nos problemas de Marcos, os amigos da congregação local das Testemunhas de Jeová ajudaram Julia dando-lhe atenção extra.
• Promova a boa saúde mental.
Um programa abrangente para cultivar o bem-estar mental, entre outras coisas, deve dar ênfase à alimentação, exercícios, sono e atividades sociais. Atividades simples com pequenos grupos de amigos são geralmente menos constrangedoras. Também é bom lembrar que o álcool pode agravar os sintomas e interferir na ação dos medicamentos. A família Silva procura seguir uma rotina de higiene mental que beneficia a todos, mas especialmente a seu filho.
• Cuide-se.
O estresse resultante de se cuidar de alguém que tem um distúrbio mental pode colocar em risco seu próprio bem-estar. Portanto, é essencial prestar atenção às suas necessidades físicas, emocionais e espirituais. A família Silva é Testemunha de Jeová. Gaida é da opinião que sua fé a ajudou bastante a lidar com os problemas familiares. “As reuniões cristãs aliviavam o nosso estresse”, ela diz, “um momento para se colocar de lado as preocupações imediatas e voltar a atenção para assuntos mais importantes e para a nossa derradeira esperança. Inúmeras vezes, eu orava desesperadamente por alívio e sempre acontecia alguma coisa para aliviar a dor. Com a ajuda de Jeová Deus, conseguia ter paz mental apesar de nossas circunstâncias”.
Marcos, agora um adulto jovem, tem um novo conceito sobre a vida. “Sinto que sou uma pessoa melhor devido ao que já passei”, ele diz. Sua irmã, Julia, sente que também foi beneficiada por essa situação. Ela diz: “Tornei-me menos crítica de outros. Você nunca sabe o que realmente está por trás dos problemas de alguém. Apenas Jeová Deus sabe.”
Se uma pessoa amada tem um distúrbio mental, lembre-se sempre de que um ouvido atento ajuda quando necessária e uma mente aberta podem ajudá-la a sobreviver — e até a ter uma boa qualidade de vida.
Quando tudo o que você diz parece não surtir efeito, fique quieto e escute
Sintomas de distúrbios mentais
Se alguém apresentar alguns dos seguintes sintomas, talvez precise consultar um médico ou um especialista em saúde mental:
Tristeza ou irritabilidade prolongada
Reclusão
Altos e baixos emocionais
Raiva excessiva
Comportamento violento
Abuso de substâncias
Temores, preocupações e ansiedades excessivos
Pavor de ganhar peso
Mudança significativa nos hábitos alimentares ou de sono
Pesadelos constantes
Confusão mental
Delírio ou alucinações
Fixação com a morte ou suicídio
Incapacidade de lidar com problemas e atividades diárias
Negação de problemas óbvios
Numerosas e inexplicadas doenças físicas

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Por que adoecemos?

Quando ficamos doentes pensamos em nos curarmos e nem sequer pensamos nos motivos que nos levaram a tal doença, mas é muito importante entender as motivações que nos fazem adoecer. Afinal, por que adoecemos? Essa com certeza não é uma resposta fácil de ser respondida, mas as pessoas adoecem porque têm necessidade de adoecer, ainda que inconsciente, por mais difícil que seja aceitar esse fato. Por que haveria a necessidade para adoecê-lo? Vamos analisar alguns fatores desencadeantes do adoecer: fuga, incapacidade de expressar as emoções, desejo de autopunição, necessidade de atenção (muito comum em crianças e idosos)e estresse.
 Fuga:
A doença pode ser uma válvula de escape dos conflitos emocionais. De alguma forma, ao adoecer somos obrigados a nos retirar da rotina para buscar a cura, é como se fosse uma maneira de nos cuidarmos, e que muitos deixam esse importante quesito para a manutenção da saúde em segundo plano. Por exemplo, o caso de um empresário que sofre um infarto quando se depara com a falência de sua empresa. Muitas vezes a doença pode ser mais destrutiva que a agressão original, mas que naquele momento não foi mais possível suportar. Se a pessoa se encontra num momento de fragilidade, ou seja, sem mecanismos de defesa, mais facilmente ela adoecerá. O mais indicado é não negar o sofrimento ou o conflito pelo qual se passa, mas nem sempre a própria pessoa consegue identificar o que sente. A dor tem que ser sentida e esgotada, pois só assim será superada.

 Incapacidade de expressar as emoções:
A incapacidade de expressar as emoções é um fator importante na origem das doenças orgânicas. Em nossa sociedade, apesar de que nos últimos anos, felizmente, está realidade tem mudado, não há espaço para manifestações de afeto, exteriorização das emoções ou do sofrimento psíquico. Em nossa cultura é muito mais aceitável, por exemplo, uma justificativa pela ausência da pessoa no trabalho, em função de alguma doença física do que por alguma dificuldade emocional. É mais aceitável um enfarte, onde todos ficam comovidos e preocupados; do que uma depressão, ou outro sofrimento psíquico, que geralmente é visto como frescura. Claro que isso acontece muito mais em função da falta de conhecimento, da ignorância, do que pelo fato em si. Essa postura intolerante diante do sofrimento psicológico fica evidente no comportamento de algumas pessoas que convivemos. A doença física parece ser mais merecedora de atenção e cuidados do que aquele que sofre sem apresentar alterações orgânicas. Isso faz com que muitas pessoas tenham vergonha de sua dor psíquica, não tendo muitas vezes, espaço nem coragem, para expressar seu sofrimento, escolhendo assim, ainda que inconscientemente, a expressão pelo físico.
Como no exemplo citado do empresário, diante das dificuldades e não suportando seu sofrimento e angústia, ao sofrer um infarto, ele sabe que todos lhe darão amparo e cuidados; mas se ele se colocasse a chorar e lamentar-se por sua dor, poderia receber desprezo e ser visto como alguém fraco.
É comprovado que as pessoas que suportam suas dores sozinhas adoecem com maior frequência e de maneira mais grave que aquelas que verbalizam suas dores. Algumas pessoas criam dentro de si verdadeiras prisões emocionais. A incapacidade de comunicar com palavras seus sentimentos faz com que o corpo expresse esses sentimentos, ou seja, o adoecer é a forma inconsciente de mostramos nosso sofrimento de uma maneira mais aceitável ou quando não conseguimos fazê-lo de outra maneira.

 Autopunição:
A autopunição surge para aliviar a ansiedade causada por um sentimento de culpa, derivado de um comportamento real ou imaginário, onde a pessoa se agride internamente. São pessoas que inconscientemente se sentem culpadas e merecedoras de castigo. Geralmente com a culpa, sempre vem à autopunição.
Quando há um conflito, mesmo que não tenhamos consciência de sua existência, será motivo de muito sofrimento, e se não for adequadamente resolvido, resultará em um estado de desequilíbrio do organismo a que chamamos doença. Como nem sempre conseguimos modificar a realidade, temos que nos adaptarmos a ela. Esse processo de adaptação não ocorre impunemente. Os meios que nossa psique lança mão para controlar o conflito são através dos mecanismos de defesa, que podemos entender como válvulas de escape de uma panela de pressão, que se não existirem, a panela explode. A explosão seria a doença, pois nem sempre os mecanismos de defesa conseguem ser eficazes.

 Necessidade de atenção:
A doença surge como uma forma de obter atenção, principalmente em crianças e idosos.
A opção pelo adoecer se faz pelo que chamamos de ganhos secundários. Para muitas pessoas a doença e o repouso na cama satisfazem suas necessidades de dependência, e até de descanso, como o ambiente hospitalar, que oferecem a oportunidade de satisfação parcial ao serem alimentados, cuidados e protegidos no mundo exterior. Ou as visitas constantes ao médico, tendo que as ouça e lhes dê um pouco de atenção, principalmente entre os idosos.
Se quando crianças ficávamos doentes e éramos atendidos, quando adultos podemos relacionar ficar doente com obter atenção, buscando preencher as carências e necessidades. Quando ficamos doentes não ficamos mais carentes de atenção, colo, carinho? Isso acontece porque um dos mecanismos de defesa muito comum durante a doença é a regressão, onde passamos a ter comportamentos próprios da infância. A regressão significa uma dificuldade em enfrentar ou controlar as situações de conflito. É como se, voltando a agir como criança, desistíssemos de lutar e nos entregamos aos cuidados dos outros.

 Estresse:
O estresse é um conjunto de reações que o organismo desenvolve quando submetido a uma situação que exige esforço para sua adaptação. É uma tensão emocional constante e quando essa tensão se torna intensa e prolongada, poderá haver falha nos mecanismos de defesa e surge a doença.
A expressão corporal constitui o primeiro e mais primitivo meio de comunicação e de defesa que o ser humano dispõe, principalmente nos momentos que as defesas estejam bloqueadas.
A vinculação entre estado psicológico e baixo das defesas do organismo baseia-se nas alterações orgânicas que as situações do estresse provocam: maior produção de cortisona (hormônio produzido pelas suprarrenais), que ocorre nessas situações, levaria à maior destruição das células de defesa do organismo. A relação entre o estado psicológico e as doenças não ocorre apenas nas situações de estresse, mas também de tristeza, ou toda sobrecarga de tensão emocional.
Diante do exposto acima, podemos perceber que as origens das doenças podem ser muitas, mas se analisarmos mais profundamente pode perceber que a necessidade de adoecer está sempre relacionada com a falta de amor a si mesmo, e a necessidade desesperada de reconhecimento e atenção do mundo exterior. E ainda mais, percebemos como é importante expressarmos nossas emoções!


domingo, 28 de agosto de 2011

DEPRESSÃO PÓS-PARTO


Atualidade: como tratar da depressão pós-parto
Estudos científicos do período do pós-parto foram negligenciados por décadas. O maior interesse surgiu do fato de que as mulheres têm uma chance duas vezes maior de terem depressão principalmente durante a vida reprodutiva e nos períodos de oscilações hormonais como o pré-menstrual, o pós-parto e a perimenopausa - período ao redor da menopausa, caracterizado pelas oscilações dos níveis hormonais e sintomas físicos/psíquicos como fogachos (ondas de calor), insônia, tristeza e irritabilidade, por exemplo.
Pesquisas epidemiológicas estimam que mais de 80% das mulheres vivenciam, durante os anos de vida reprodutiva, alguns sintomas depressivos associados aos períodos do pré e pós-parto. A própria Associação Psiquiátrica Norte-Americana (APA) reconhece que os transtornos de humor nestes períodos tenham características particulares. Embora a flutuação do humor possa ocorrer em até 80% das mulheres, apenas 10% a 20% efetivamente irão desenvolver algum transtorno do humor. Os quadros clínicos depressivos neste período são basicamente três com diferentes níveis de gravidade.
TRANSTORNO INCIDÊNCIA CURSO QUADRO CLÍNICO FATORES DE RISCO
BLUES (branda) 70-85% Dos primeiros dias até 10 a 14 dias após o parto Instabilidade do humor, choro fácil, irritabilidade e ansiedade Sintomas depressivos durante a gravidez, história de depressão e transtorno disfórico pré-menstrual - forma grave de TPM .
DEPRESSÃO PÓS-PARTO (DPP) 10% Do primeiro até o quarto mês do pós-parto, com a mesma duração de um episódio depressivo em outra fase da vida. Pode ou não coincidir ou se confundir com o hipotireoidismo pós-parto Humor deprimido, culpa, ansiedade, medo de causar sofrimento ao bebê e pensamentos obsessivos Depressão durante a gravidez, história de depressão (especialmente depressão pós-parto prévia), problemas conjugais, falta de suporte social e eventos estressantes durante a gravidez
PSICOSE PÓS-PARTO 0,1%-0,2% No primeiro pós-parto com duração variável de semanas a meses. Confusão, alucinações e mudanças rápidas de humor (da euforia para a depressão) São três fatores de risco:
Pessoas com histórico pessoal ou familiar de transtorno bipolar do humor
Episódio prévio de psicose (por exemplo em uma gestação anterior);
Ser primípara (primeiro filho)
O que pode causar esses quadros no pós-parto?
A gravidez e o parto exercem efeitos psicológicos, fisiológicos e endocrinológicos sobre o corpo e a mente da mulher. Muitos estudiosos tentam comprovar que as alterações hormonais do período sejam as responsáveis pelos quadros clínicos. Porém, a relevância dessas questões biológicas, para o ser humano, ainda merecem melhores estudos e elucidações.
Por exemplo, embora alguns autores tenham tentado estabelecer uma correlação entre os hormônios femininos (estrogênio e progesterona), além da prolactina, para os quadros de blues, até o presente momento tudo ainda é inconsistente. Outros autores tentaram estabelecer uma correlação entre o aumento dos níveis de cortisol plasmático (hormônio do estresse) e os quadros de depressão pós-parto ou blues, porém, tais resultados também são inconclusivos.
Alterações tireoidianas podem contribuir para o surgimento/agravamento dos transtornos de humor. Alguns autores sugerem uma disfunção da glândula tireoide, disfunção esta temporária, que pode estar associada aos quadros de DPP. Porém, outros estudos também não confirmam tais achados.
A diminuição abrupta dos hormônios gonadais (estrogênio e progesterona), em mulheres sensíveis às mesmas, pode causar quadros psíquicos no pós-parto. O mesmo se refere aos mensageiros químicos cerebrais. Por exemplo, aventa-se a hipótese de que mulheres com quedas maiores de beta-endorfinas (analgésicos naturais), no pós-parto, possam ser mais vulneráveis ao desenvolvimento de quadros depressivos. Porém, a hipótese da sensibilidade individual diferente a todas as alterações fisiológicas, hormonais ou de moduladores químicos, que ocorrem em todas as mulheres neste período, parece ser a mais aceita.
Portanto, embora uma conclusão definitiva ainda esteja longe de ser estabelecida, parece que os quadros puerperais são decorrentes de uma resposta individual anormal às variações hormonais e não das mudanças hormonais propriamente ditas.
Fatores de risco
Diversos fatores de risco têm sido associados ao surgimento desses quadros, no pós-parto e podem ser incluídos nas seguintes categorias:
Fatores estressantes socioeconômicos
História psiquiátrica
História psiquiátrica familiar
Traços de personalidade (ansiosos obsessivo-compulsivos, ansiosos, etc..)
Fatores estressantes socioeconômicos incluem:
- Falta de suporte social
- Eventos de vida negativos
- Instabilidade empregatícia
- Inexperiência com crianças
- Gravidez não planejada
- Pessimismo pré-natal (por exemplo, mães com abortamentos espontâneos prévios)
- Relações conjugais precárias ou falta de companheiro estável
- Relações precárias entre a paciente e a mãe
- Multiparidade (mais de um filho)
Muito cuidado se deve ter com a interrupção de tratamentos psiquiátricos durante a gestação.
Novas classificações sendo avaliadas para transtornos mentais do pós-parto
O nascimento é um fenômeno complexo em termos de psicologia.
Fatores biológicos, psicológicos e sociais interagem entre si.
Mães com partos recentes são vulneráveis a um amplo espectro de transtornos psiquiátricos.
A classificação atual ainda utilizada, parece defasada e com os dias contados, segundo novos estudos científicos. Ou seja, o "blues", a depressão pós-parto e a psicose puerperal devem dar lugar a uma nova e revolucionária classificação, de quatro partes provavelmente, que estará presente no futuro CID-11 (Classificação Internacional de Doenças) e DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico em Saúde Mental), a serem implementados entre 2009-2010 no mundo. O modelo atual, embora importante, é insuficiente para explicar a grande variedade, heterogeneidade e complexidade de todos os quadros clínicos do pós-parto que observamos nas mulheres atendidas no Pró-Mulher (IPq-HC-FMUSP) e em outros centros mundiais voltados à saúde mental da mulher.
Proposta atual de reclassificação dos quadros psiquiátricos do período pós-parto
1) Psicoses, incluindo a orgânica, a psicogênica - de origem psicológica (relacionada a um estresse severo, como o ciúmes doentio do marido com o nascimento do bebê) e a bipolar, esta última a mais frequente);
2) Transtornos do relacionamento mãe-bebê, que são frequentes em 10%-25% das mulheres, e que podem levar à rejeição da criança, aos maus tratos e até infanticídios descritos. Aqui o foco afetivo é diferente daquele relacionado à depressão propriamente dita. Isso ainda é ignorado ou subestimado na medicina.
3) Depressão: Este conceito é importante por questões legais, porém, do ponto de vista médico está mais enfraquecido, já que a associação entre depressão e puerpério é fraca. Não há uma diferença significativa de depressão entre o período do pós-parto e outros períodos de vida da mulher. As mulheres, com depressão pós-parto, formam um grupo heterogêneo. Algumas têm, na realidade, ansiedade, transtorno obsessivo e transtorno do estresse pós-traumático. Muitas já tiveram outros episódios de depressão, em momentos anteriores de suas vidas.
4) Sintomas resultantes de:
a) Fatores estressores durante o parto (transtorno do estresse pós-traumático)
b) Transtornos de ansiedade específicos, mais frequentes que a depressão, porém pouco enfatizados e valorizados ainda. Por exemplo, 10% das mulheres têm início de transtorno do pânico em tal período.
c) Obsessões de machucar a criança ou outras preocupações mórbidas.
Portanto, por conta da diversidade da doença mental no pós-parto, dos riscos ao recém-nascido e à própria mãe, intervenções mais eficazes, incluindo as profiláticas, são necessárias, com classificações e diagnósticos psiquiátricos mais adequados. Os dias dos atuais manuais diagnósticos e classificatórios em saúde mental realmente parecem contados. A futura versão dos atuais  CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) e DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico em Saúde Mental, da Associação Psiquiátrica Americana) devem sofrer uma revolução, no que tange aos transtornos psíquicos do pós-parto, com mudanças significativas.
A relação entre mãe-filho deve ser preservada, até mesmo durante uma internação eventual, com assistência de uma equipe multidisciplinar. A prevenção parece ser a grande chave do tema, embora ainda seja um tema em discussão ampla.
Tratamentos
O tratamento deve ser individualizado de acordo com a gravidade clínica.
A primeira opção é a prevenção. Isso é suficiente para a maior parte dos quadros psiquiátricos do pós-parto. Estudos recentes identificaram a existência de medidas pré e pós-parto eficazes na redução do número de mulheres "de maior risco". Após a identificação de tais subgrupos de mulheres, deve-se oferecer educação, psicoterapia de apoio e até medicação quando bem indicada e orientada. Qualquer tratamento deve envolver equipe multidisciplinar, com o obstetra, o psiquiatra e o psicólogo. O enfoque é sempre o biopsicossocial, como em todos os transtornos mentais. Pais e familiares devem também ser orientados. Nunca devemos nos esquecer dos aspectos da vida do casal e das próprias expectativas de mudanças da vida social que podem intimidar ou assustar algumas futuras mamães. A reposição hormonal com estrogênio em altas dosagens ainda requer melhor comprovação científica.
Portanto, o tratamento psiquiátrico das mulheres neste período é complexo. Quando a medicação for extremamente necessária, devem ser tomados alguns cuidados fundamentais:
1º) Todas as medicações administradas às mães durante a lactação, podem ser excretadas no leite materno. A quantidade observada no leite materno, entretanto, é geralmente pequena e considerada de risco mínimo para o bebê.
2º) A exposição ao agente psicotrópico (medicação) também pode ser minimizada se a mãe ingerir o medicamento logo após completada a amamentação. Os psicofármacos (antidepressivos) tendem a se concentrar no leite materno obtido entre 7 e 10 horas após a sua ingestão. O leite obtido neste período deve ser descartado.
3º) Entre os medicamentos considerados mais seguros estão tanto os antidepressivos tricíclicos (mais antigos como anafranil, pamelor), quanto os inibidores seletivos da recaptura de serotonina (Prozac, Zoloft, Cipramil, etc).
4º) "Calmantes", como Lorax, Valium, Lexotan não são indicados. Podem ocorrer sintomas de abstinência no bebê (agitação, insônia, tremores e até convulsões).
5º) A relação risco-benefício sempre deve ser respeitada na escolha dos medicamentos. O uso de medicamentos deve ser reservado para as situações onde a exposição da mãe e do bebê à doença oferecem maiores riscos que a exposição à medicação. A prescrição deve ser feita por especialistas.
Outro tratamento para depressão moderada ou grave do pós-parto a ser testado em breve na USP, pelo Dr. Marcolin (em parceria com o Pró-Mulher), será o de estimulação magnética transcraniana (EMT). Tal técnica, se eficaz, será muito benéfica, pois não tem efeitos colaterais. A estimulação magnética transcraniana (EMT) é uma técnica de estimulação cerebral não-invasiva, foi reintroduzida e desenvolvida para o diagnóstico de transtornos neurológicos, pois induz respostas motoras pela estimulação magnética do córtex motor diretamente.




sexta-feira, 26 de agosto de 2011


Mostraremos a verdade da saúde mental no Brasil                                      
ABP
“Uma mentira muitas vezes repetidas torna-se verdade”. A célebre frase de Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler, pode muito bem ser aplicada à saúde mental no Brasil. Sob a fachada de uma suposta humanização, há dez anos, a maioria dos leitos psiquiátricos foram fechados, mas em vez de oferecer tratamentos psiquiátricos modernos, o governo federal tem cortado, em média, R$ 2 bilhões por ano das verbas para doenças mentais e lançado programas superficiais, sem a presença de psiquiatras. Mesmo assim, o que se apregoa é de que a saúde mental está sendo cuidada. Ainda este mês, o Ministério da Saúde habilitou mais 26 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) em 12 estados, completando um total de 1.650 em todo o Brasil. Um número insuficiente para a quantidade de pacientes que necessitam de tratamento. Para o Ministério da Saúde,46 milhões de pessoas, necessitam ou vão necessitar de atenção e atendimento em algum tipo de serviço em saúde mental.
Sem uma política adequada, o resultado que se vê, é uma legião de doentes, com quadros mentais graves, perdidos pelas ruas, vivendo sob os viadutos do país, ou encarcerados nos presídios. Em 8 anos, 18 mil leitos psiquiátricos foram fechados sem que fosse dada outra alternativa para os doentes mentais. São 16,5 milhões de brasileiros que necessitariam de internações, principalmente esporádicas. Dados do próprio Ministério da Saúde indicam que têm morrido mais doentes mentais no Brasil, depois da desativação dos leitos psiquiátricos nos hospitais, ainda assim, o que se divulga é que a política de saúde mental no país vai bem.
A propaganda alardeada pelos defensores da luta antimanicomial é de que os manicômios são desumanos, fato com que a Associação Brasileira de Psiquiatria também concorda, mas daí a retirar qualquer possibilidade de uma assistência humanizada, não podemos concordar. Precisamos de hospitais psiquiátricos de qualidade que possam atender os pacientes que necessitam de tratamento adequado. O que vemos são muitos dando palpites e poucas ações dando resultados efetivos. E para desmistificar essa “mentira que virou verdade”, a diretoria da ABP não está medindo esforços. Para esclarecer a opinião pública do verdadeiro quadro com que hoje convivemos na saúde mental, estamos indo a audiências públicas na Câmara dos Deputados e no Senado, participando de debates e seminários, seja em escolas ou universidades, promovendo encontros com secretários estaduais e municipais de saúde, além de reuniões com promotores do Ministério Público de vários estados, na tentativa de reduzir a judicialização da saúde, uma vez que atendimentos e medicamentos para os doentes mentais só se consegue via judicial.
O papel da Associação Brasileira de Psiquiatria é contribuir, de maneira eficiente, para a elaboração de uma política pública de saúde mental de qualidade e garantir o aperfeiçoamento do sistema médico assistencial, orientando a sociedade quanto aos problemas de assistência, e da necessidade de preservação e recuperação da saúde mental no Brasil. Os cinco mil psiquiatras que fazem da ABP uma entidade reconhecida e de credibilidade, também estão contribuindo nessa empreitada.
Estamos nos empenhando junto aos Três Poderes para que os doentes mentais do Brasil tenham um atendimento de qualidade e que nós, psiquiatras, possamos exercer nossa função. Com todo esse esforço, estamos certos de que conseguiremos mostrar a verdade.
Antônio Geraldo da Silva
Presidente da ABP

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Doenças e Sentimentos

Doenças causadas por sentimentos.

Segundo a psicóloga americana Louise l. Hay, todas as doenças que temos são criadas por nós. Afirma ela, que somos 100% responsáveis por tudo de ruim que acontece no nosso organismo. Todas as doenças tem origem num estado de não-perdão, diz Louise L. Hay. Sempre que estamos doentes, necessitamos descobrir a quem precisamos perdoar. Quando estamos empacados num certo ponto, significa que precisamos perdoar mais. Pesar, tristeza, raiva e vingança são sentimentos que vieram de um espaço onde não houve perdão. Perdoar dissolve o ressentimento.
A seguir, você vai conhecer uma relação de algumas doenças e suas prováveis causas, elaboradas pela psicóloga Louise. Reflita, vale a pena tentar evitá-las:
DOENÇAS/CAUSAS
AMIDALITE: Emoções reprimidas, criatividade sufocada.
ANOREXIA: Ódio ao externo de si mesmo.
APENDICITE: Medo da vida. Bloqueio do fluxo do que é bom.
ARTERIOSCLEROSE: Resistência. Recusa em ver o bem.
ARTRITE: Crítica conservada por longo tempo.
ASMA: Sentimento contido, choro reprimido.
BRONQUITE: Ambiente familiar inflamado. Gritos, discussões.
CÂNCER: Mágoa profunda, tristezas mantidas por muito tempo.
COLESTEROL: Medo de aceitar a alegria.
DERRAME: Resistência. Rejeição à vida.
DIABETES: Tristeza profunda.
DIARRÉIA: Medo, rejeição, fuga.
DOR DE CABEÇA: Autocrítica, falta de autovalorização.
DOR NOS JOELHOS: medo de recomeçar, medo de seguir em frente.
ENXAQUECA: Raiva reprimida. Pessoa perfeccionista.
FIBROMAS: Alimentar mágoas causadas pelo parceiro (a).
FRIGIDEZ: Medo. Negação do prazer.
GASTRITE: Incerteza profunda. Sensação de condenação.
HEMORRÓIDAS: Medo de prazos determinados. Raiva do passado.
HEPATITE: Raiva, ódio. Resistência a mudanças.
INSÔNIA: Medo, culpa.
LABIRINTITE: Medo de não estar no controle.
MENINGITE: Tumulto interior. Falta de apoio.
NÓDULOS: Ressentimento, frustração. Ego ferido.
PELE (ACNE): Individualidade ameaçada. Não aceitar a si mesmo.
PNEUMONIA: Desespero. Cansaço da vida.
PRESSÃO ALTA: Problema emocional duradouro não resolvido.
PRESSÃO BAIXA: Falta de amor quando criança. Derrotismo.
PRISÃO DE VENTRE: Preso ao passado. Medo de não ter dinheiro suficiente.
PULMÕES: Medo de absorver a vida.
QUISTOS: Alimentar mágoa. Falsa evolução.
RESFRIADOS: Confusão mental, desordem, mágoas.
REUMATISMO: Sentir-se vitima. Falta de amor. Amargura.
RINITE ALÉRGICA: Congestão emocional. Culpa, crença em perseguição.
RINS: medo da crítica, do fracasso, desapontamento.
SINUSITE: Irritação com pessoa próxima.
TIRÓIDE: Humilhação.
TUMORES: Alimentar mágoas. Acumular remorsos.
ÚLCERAS: Medo. Crença de não ser bom o bastante.
VARIZES: Desencorajamento. Sentir-se sobrecarregado.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

CAPS GERAL DE MESSEJANA EM SEU ARRAIÁ!












O arraiá do CAPS GERAL esse ano foi  muito bom, teve venda de artesanato (feito pelo grupos da Terapia Ocupacional), quadrilha, comida e o melhor muita animação! Esta edição teve novidades, aconteceu externo na Praça de Messejana.
Agradecimentos a todos que contribuíram pelo o sucesso do evento e pelos que participaram!